Números de psicólogos e psiquiatras na Polícia Militar é insuficiente

Assunto foi discutido na Alerj essa semana

Enviado Direto da Redação

Foto: Divulgação/Thiago Lontra


A Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) conta, atualmente, com um déficit de 30 psicólogos e 18 psiquiatras na corporação. A demanda foi apresentada pelo tenente coronel psicólogo Fernando Derenusson, durante audiência pública da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) que discutiu, nesta sexta-feira (27), os problemas de saúde enfrentados pelos agentes de segurança e a prevenção ao suicídio.



Criado em 2002, o centro de psicologia da Polícia Militar funciona com 93 psicólogos e dois psiquiatras. Somente no último ano os profissionais realizaram cerca de 30 mil atendimentos, sendo 44% dessas consultas com policiais da ativa. “Nós operamos de maneira suficiente na região metropolitana do Estado, mas acabamos perdendo cobertura no interior. Por isso é importante ter mais psicólogos e psiquiatras para atender não só os policiais como as famílias desses agentes”, justificou Fernando. O tenente ainda ressaltou que mesmo com uma quantidade insuficiente de psicólogos na corporação, cada profissional consegue evitar que pelo menos três policiais cometam suicídio.



O presidente de análise de vitimização da Polícia Militar, coronel Cajueiro, informou que por dia, de quatro a cinco agentes de segurança pública são afastados por problemas psiquiátricos no Rio de Janeiro. Para ele, a carga horária de trabalho intensa é um dos fatores que prejudica o psicológico dos profissionais. “Os comandantes, por exemplo, não tem folga. Eles trabalham 24h, nos sete dias da semana. Isso gera uma série de problemas de saúde, principalmente com a alteração de ciclo de sono e com a adrenalina provocada nos combates. Para se ter uma ideia, quase 100% dos nossos policiais vitimados pensam em se suicidar”, afirmou o coronel.



Dados nacionais



Segundo dados do Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apresentados pela presidente da Comissão, deputada Renata Souza (PSol), o número de policiais que cometeram suicídio no Brasil em 2018 (104 ao todo) foi maior que a quantidade de PMs que morreu em decorrência de confronto nas ruas (87), enquanto estavam em serviço. Só este ano, 45 policiais já morreram e cinco cometeram suicídio no Rio de Janeiro.



Para contribuir na diminuição dessa estatística, a Alerj aprovou no último dia 26 o projeto de lei 1.183/19, de autoria da deputada, que cria um programa de combate ao suicídio e sofrimento psíquico de agentes de segurança.


“É expressiva a quantidade de agentes com sérios problemas psicológicos, como crise de ansiedade e depressão. Queremos com esse projeto que o estado passe a ser responsabilizado pela morte desses policiais, já que entendemos que esse é o resultado de uma segurança pública firmada no confronto e na guerra”, justificou Renata Souza.


O texto será encaminhado ao governador Wilson Witzel, que terá até 15 dias úteis para sancionar ou vetar a medida.



Números subnotificados


Para a especialista Dayse Miranda, coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Suicídio e Prevenção (GERSP), o volume de suicídios pode ser ainda maior do que o apresentado no relatório do Fórum.


“Estamos mapeando os dados de suicídio desde 2009 e sabemos que as instituições policiais não têm um trabalho de coleta sistemática, por isso acreditamos na subnotificação desses dados. O suicídio de policiais tem uma característica bem específica. Muitos agentes que tentaram suicídio relataram que entraram nas favelas sem colete para não ter a sua morte registrada como suicídio. Esses casos existem aos montes e, por isso, a dificuldade em dar de forma assertiva essas estatísticas”, concluiu Dayse.

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