Número de casos de Aids aumenta entre os mais jovens no estado

Em 18 anos, dos 88.939 casos registrados, 8.099 pessoas morreram sem tratamento

Enviado Direto da Redação
Dos 1.421 casos notificados em 2018, 38,8% foram em pessoas de 20 a 34 anos

Dos 1.421 casos notificados em 2018, 38,8% foram em pessoas de 20 a 34 anos

Foto: Divulgação


Dados apresentados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), nesta sexta-feira (06), em audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), mostram que a incidência de Aids tem aumentado. "Dos 1.421 casos notificados no ano passado, 38,8% foram em pessoas de 20 a 34 anos. É fundamental estimular a prevenção, especialmente entre os mais jovens", alertou a gerente de DST/Aids da SES, Denise Pires.


Com a intenção de agir de forma eficaz diante do quadro, os integrantes das Comissões de Direitos Humanos, de Saúde e de Combate às Discriminações da Alerj vão realizar um trabalho permanente com grupos que atuam no atendimento de pessoas com HIV e Aids no Estado do Rio.


“Uma das ações que estamos desenvolvendo em parcerias com programas municipais é a capacitação dos profissionais de saúde e o aprimoramento dos mecanismos de controle da sociedade civil”, explicou Denise. Entre os anos de 2000 e 2018, dos 88.939 casos registrados, 8.099 pessoas morreram de Aids sem passar por qualquer tratamento.


Durante a reunião, a presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputada Renata Souza (PSol), e a vice-presidente da Comissão de Saúde, deputada Enfermeira Rejane (PCdoB), criticaram o Decreto Federal 9.795/19, que modificou a estrutura do Ministério da Saúde e estabeleceu que o Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais, criado em 1986, passou a se chamar Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis.


"A retirada da palavra Aids do nome do Departamento pode tornar invisível a doença e representa um grande retrocesso", afirmou Enfermeira Rejane.


A deputada Renata Souza, reiterou que as comissões continuarão atuando unidas para que esse debate não seja diminuído. "Pretendemos nos reunir com mais regularidade para ouvir e acompanhar melhor os casos de HIV e de Aids no estado e saber se essa mudança feita pelo Ministério da Saúde está causando algum dano aos pacientes", se comprometeu a parlamentar.


Presidente da Comissão de Combate às Discriminações, o deputado Carlos Minc (PSB), disse que pedirá a Mesa Diretora da Alerj para que coloque em votação, em regime de urgência, o Projeto de lei 4.265/18, de sua autoria. A proposta determina que pessoas que vivem com a doença e que necessitam de tratamento continuado tenham garantidos, no mínimo, sessenta passagens mensais para se locomover até o local do tratamento.


"Essa já é uma realidade no município e acho que o estado precisa se atualizar", defendeu.

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