Audiência Pública discute situação de metalúrgicos de Niterói
Vereadores e deputados debateram sobre Plano Emergencial de Empregos para a categoria

Os metalúrgicos de Niterói lotaram a Câmara Municipal nesta quinta-feira (15) para uma audiência pública sobre o desemprego em massa, os impactos do calote patronal sobre a categoria e as propostas para a sua reempregabilidade.
Foram quase quatro horas de audiência, que contou com a participação do movimento SOS Emprego Leste Fluminense, organizada pela bancada do PSOL, formada pelos vereadores Renatinho do PSOL e Paulo Eduardo Gomes e pelo deputado estadual Flavio Serafini, com participação do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Luiz Paulino, das centrais sindicais e do Sindicato dos Metalúrgicos.
O principal resultado foi o compromisso da viabilização de um Plano Emergencial de Empregos.
Ao final, ficou deliberada a criação de um Grupo de Trabalho com participação da categoria, sindicatos, centrais e representantes do poder público Executivo e Legislativo, das esferas municipal, estadual e federal, para o estudo das condições de geração emergencial de emprego e renda em obras como a da dragagem do Canal de São Lourenço, orçada em R$ 200 milhões e que vai ampliar para 12 metros a profundidade desse ponto da Baía que hoje funciona como cemitério de embarcações.
O diálogo vai envolver a Comissão de Desenvolvimento Econômico e Indústria Naval e a Frente Parlamentar da Indústria Naval e Offshore.
Além disso, foi proposta a elaboração de uma representação ao Ministério Público Estadual para a investigação das denúncias de irregularidades no processo de contratação para o Comperj, que não tem priorizado os 5.528 ex-funcionários do Estaleiro Mauá que foram demitidos em 2015 e que até hoje não conseguiram fazer valer os seus direitos e receber as devidas indenizações trabalhistas.
“A situação das nossas famílias é desesperadora e se agrava a cada dia, com casos de suicídio e até com trabalhadores presos por falta do pagamento da pensão alimentícia. Nossa luta não vai parar enquanto não conseguirmos a reconquista da nossa dignidade humana”, disse o líder do movimento SOS Empregos Leste Fluminense.
“A situação é de desespero, porque a Justiça tem sido bastante lenta nos processos movidos pelos trabalhadores demitidos. É responsabilidade do poder público promover políticas públicas que garantam empregos por meio da reativação da indústria naval e de frentes de trabalho emergenciais”, explicou o vereador Renatinho do PSOL.