Estudantes já denunciavam, em 2017, descaso com a Biblioteca no Lavourão

Gonçalenses enviaram um ofício às autoridades

Enviado Direto da Redação
Secretaria de Educação promete nova biblioteca entre o final de julho e início de agosto no Mutondo

Secretaria de Educação promete nova biblioteca entre o final de julho e início de agosto no Mutondo

Foto: Kiko Charret

O fechamento da única biblioteca municipal de São Gonçalo, que funcionava no Centro Cultura Joaqui Lavoura, o Lavourão, na Estrela do Norte, pegou estudantes de surpresa. Em 2017, alunos do Colégio Estadual Francisco de Paula Achilles, no Anaia Pequeno, protocolaram, através do Grêmio Estudantil, um ofício no gabinete do então secretário de Educação, José Augusto Abreu, pedindo que a biblioteca, que ocupava um espaço no 1º andar do prédio fosse ampliada.



No documento, os estudantes alegam que “a biblioteca era um espaço pequeno para uma cidade com mais de um milhão de habitantes, e muito além de oferecer o serviço de leitura, poder ser um espaço que guarde uma parte da história da cidade”. Dois anos depois, ao invés de atender o pedido dos jovens, a Prefeitura fechou a biblioteca.



Na justificativa, o Grêmio Estudantil solicitava que “fosse designado um espaço público unicamente para atuar como Biblioteca Municipal, com organização, estrutura adequada e modernizada para atender a necessidade dos estudantes e demais cidadãos do município”.



Além disso, os integrantes do grêmio estudantil pediam que Prefeitura desenvolvesse projetos de incentivo à leitura na cidade.



Após a denúncia de O SÃO GONÇALO sobre o fechamento do órgão, a Prefeitura de SG anunciou que uma nova biblioteca será aberta, em agosto, no prédio anexo do Executivo, no Mutondo, segundo o secretário municipal de Educação, Marcelo Azeredo.



O estudante Claudionei Abreu, 17, que integra o Grêmio estudantil do Ciep 309 Zuzu Angel, no Arsenal, pretende se reunir com outros membros do grêmio para discutirem propostas para o problema. “Vamos discutir algumas propostas que apresentaremos à Semed. Temos uma biblioteca em nosso colégio e ela realiza mensalmente diversas atividades que envolvem a comunidade escolar. Pensamos que alguns podem ser adaptados a nível municipal”, explicou.



O escritor Rodrigo Santos, 42, fundador do sarau ‘Uma Noite na Taverna’ que promove a literatura na cidade desde 2004, chega a duvidar de que haverá uma nova biblioteca.



“Uma cidade que não investe na cultura é uma ‘cidade sem alma’. Mesmo que o fechamento seja provisório, foi mais um golpe duro na autoestima do gonçalense. Eu frequentei a biblioteca do Lavourão durante minha juventude, porque não tinha acesso a livros e passava as tardes lá lendo os clássicos, como Shakespeare. Eu saía de Alcântara para ir lá”, disse Santos.

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