Câmara do Rio abre processo de impeachment contra prefeito Marcelo Crivella
O pedido de impeachment é de autoria de Fernando Lyra Reys, fiscal da Secretaria de Fazenda

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro decidiu, nesta terça-feira (2), abrir um processo de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella (PRB).
Trinta e cinco vereadores votaram a favor do processo e quatorze contra. O presidente da Câmara, vereador Jorge Felippe (MDB), se declarou impedido, por ser o primeiro na linha sucessória caso o impeachment seja aprovado. A abertura do processo requeria a maioria simples de 26 vereadores.
O pedido de impeachment é de autoria de Fernando Lyra Reys, fiscal da Secretaria de Fazenda. Ele acusa Marcelo Crivella de ter praticado crime de responsabilidade em dezembro de 2018, quando sua gestão renovou um contrato com duas empresas que fornecem mobiliário para a administração carioca.
Agora, uma comissão de três parlamentares, Luiz Carlos Ramos Filho (PTN), Paulo Messina (PROS) e Willian Coelho (MDB), iniciará a elaboração de um parecer. Crivella terá 10 dias para apresentar sua defesa, após a publicação no Diário Oficial. A comissão tem até 90 dias para apresentar um relatório.
Esse relatório será levado ao plenário da Câmara do Rio e votado. Para ser aprovado, precisa do voto de dois terços dos vereadores. Se passar, o relatório pode determinar o afastamento de Crivella do mandato. Se rejeitado, o pedido de impeachment é arquivado. Até a votação do relatório, ele continua no cargo.
Os discursos na Câmara começaram às 14h. A votação foi aberta às 16h, mas nesse horário os discursos foram retomados. O pleito, na prática, começou depois das 17h.
Em um discurso emocionado, a vereadora Veronica Costa (MDB) chamou o prefeito de “covarde” e argumentou que a gestão Crivella prejudicou a Saúde e a Educação. Já o líder do governo, Dr. Jairinho (MDB), fez um apelo e disse não ser “o momento” para um processo do tipo. Não foi ouvido.
Crivella tem uma relação conflituosa com a Câmara Municipal. Um sintoma desta tensão é que na semana passada os vereadores tentaram aprovar uma mudança na Lei Orgânica do Município, com o objetivo de facilitar as eleições indiretas em caso de afastamento do prefeito. No total, este é o quinto processo de impeachment de Marcelo Crivella protocolado na Câmara. A Prefeitura preferiu não comentar o assunto.