Witzel é advogado de acusado de receber R$ 6 milhões de propina
Cliente do ex-juiz federal é investigado na Lava Jato

O ex-juiz federal Wilson Witzel, candidato do PSC ao governo do Estado do Rio, apesar de em sua campanha, dizer ser um apoiador da operação Lava Jato, aparece como um dos advogados do Pastor Everaldo, presidente de seu partido, que é acusado de receber R$ 6 milhões em propinas da construtora Odebrechet.
No processo 0600280-83.2018.6.00.000 cujo relator é o ministro do STF Luís Roberto Barroso, Witzel aparece como defensor do Pastor Everaldo, junto com os advogados Francisco de Assis Veras Fortes Neto e Valter Ferreira de Alencar Pires Rebelo. A ação se refere a um pedido de afastamento do Pastor Everaldo do comando do PSC, justamente por estar sendo investigado na Lava Jato.
Polêmicas - A volta de Witzel ao exercício da advocacia é outraquestão polêmica. Ele teve seu registro reativado na OAB-RJ, no dia 13 de março desse ano, 10 dias depois de ter se desligado da magistratura e ter assinado a ficha de filiação ao PSC. Logo em seguida, teria sido contratado pelo partido, com carteira assinada, e mesmo se tornando candidato ao Governo do Estado, continua como advogado do presidente do partido no processo.
Antes disso, quando pensou em se filiar e se candidatar pelo PSC, Witzel também teria articulado para continuar exercendo a a carreira de juiz federal, apenas se licenciando para concorrer ao cargo de governador. Foi aí, que o PSC apresentou um Projeto de Emenda Constitucional, durante a discussão da reforma política, propondo que magistrados e promotores pudessem se licenciar para concorrerem e retornassem à ativa após o fim do mandato.
O projeto acabou sendo criticado pelos deputados e questionado no Supremo Tribunal Federal (STF), que viram risco de que os juízes poderiam condenar um adversário político para evitar concorrência na eleição. Wilson Witzel disputa o segundo turno da eleição para governador do Estado contra o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM).