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Educação e moradia são prioridades do mandato

relogio min de leitura | Redação 23 de dezembro de 2016 - 12:00
Professora de História pretende construir seu mandato na coletividade com as forças sociais
Professora de História pretende construir seu mandato na coletividade com as forças sociais -

Por Matheus Merlim

Com 5.121 votos, a professora de História Talíria Petrone Soares (Partido Socialismo e Liberdade - PSOL), de 31 anos, foi a vereadora mais votada de Niterói na última eleição. Levantando as bandeiras do feminismo, da luta anti-racismo e contra a violência à população LGBT, a futura parlamentar promete fazer um mandato participativo. Ouvir as demandas populacionais, com um gabinete itinerante nos bairros, é uma das principais propostas de Talíria para os próximos quatro anos na Câmara Municipal.

Filiada ao PSOL há seis anos, Talíria começou sua história política como integrante do movimento de educadores do Rio. Para a niteroiense, é importante enxergar a sala de aula como espaço para discussão de temas sociais, sobretudo enfatizando os debates da questão de gênero, das lutas das mulheres e dos negros, usando a educação como instrumento de mudança. E é neste contexto que surgiu sua candidatura ao Legislativo.

“Não foi uma decisão individual e nunca foi um desejo meu enquanto mulher e militante. A candidatura surgiu como um instrumento coletivo de mulheres que constroem o PSOL. A política carrega duas esferas que foram negadas a nós historicamente, que é o espaço de poder e espaço público. A gente decidiu que precisava de uma candidatura que não só apoiasse as pautas feministas, como os nossos companheiros de partido, mas que representasse a luta feminista, anti-racista e do movimento LGBT”, contou.

Desejo de mudança – Ser a candidata mais votada nunca foi uma pretensão de Talíria. Porém, a futura vereadora credita a quantidade de votos no desejo de mudança da população e no crescimento dos movimentos sociais. A professora de História ressalta também que não é um fenômeno isolado de Niterói. “A gente vive um momento da política nacional de avanço grande do conservadorismo em termos econômicos e sociais, desde a tentativa de aprovar a “Escola Sem Partido” até a PEC 55, que têm impactos num setor específico: mulheres, pobres e negros. Por outro lado, há um movimento em resposta ao avanço de lutas. A população LGBT sai do armário, a população negra reivindica direitos e as mulheres têm sido maioria nos principais processos de mobilização”, explicou.

Diferente – Segundo Talíria, outro fator que pode ter motivado os eleitores foi o jeito diferenciado de fazer política. “O PSOL elegeu 10 mulheres no Brasil inteiro. Se pegar o cálculo geral, não houve uma ampliação no quadro, mas houve ampliação de mulheres com pautas feministas. É um movimento nacional e a gente conseguiu, aqui na cidade, com um jeito diferente de fazer política, que é estar nas praças, no corpo-a-corpo. Mostramos uma opção de fazer campanha de mais ocupação do espaço público e, principalmente, de escuta das demandas”, acrescentou.

Sobre pretensões políticas após os próximos quatro anos, Talíria é enfática: “Não tenho. Por enquanto, meu único objetivo é construir o mandato pelo qual fui eleita”. A futura vereadora reconhece que há uma pressão e muita expectativa sobre sua atuação na Câmara, justamente por ser um rosto novo e com proposta diferente. “A gente acredita que por ser a candidatura mais votada, tem muita gente conosco. Vamos construir juntos, chamamos de ‘construir com’. E isso faz a gente ser maior, ser grande no sentido de ter muita força social para enfrentar os desafios. É um misto de preocupação com o momento político que a gente vive no país e que se expressa na nossa cidade, mas também de muita esperança e segurança porque tem toda uma coletividade que vai construir esse mandato junto”, declarou.

Educação e moradia são prioridades do mandato

Moradora da Ponta D’Areia, em Niterói, Talíria Petrone tem como principal proposta para o próximo quadriênio (2017-2020) montar um gabinete itinerante. A ideia da futura vereadora é estar em, pelo menos, um bairro a cada semana, ouvindo as demandas da população para basear a criação de políticas públicas para o município.

“Nosso objetivo é fazer essas discussões com a prioridade de intervenção na Zona Norte e nas áreas populares da cidade. A gente quer um gabinete de rua, para estar toda semana em lugares diferentes, não para falar, mas para ouvir a demanda daquele povo, principalmente das mulheres, que mais sofrem com serviços precários”.

O mandato, de acordo com Talíria, precisa ser mais acessível e é fundamental que as pessoas se sintam parte do processo político para entender que, de fato, a política envolve o dia a dia da cidade. “Temos que romper com a ideia de que o mandato parlamentar é inacessível. Vamos ouvir as demandas tanto de territórios específicos, como em favelas, quanto de temas específicos, reunindo-nos com educadores, camelôs e trabalhadores informais. Nosso mandato será um instrumento para fazer as pessoas voltarem a acreditar na política. Até porque a política é a vida das pessoas: é o preço do pão, da carne e da tarifa de ônibus”, explicou.

Como prioridades de seu mandato, Talíria Petrone destaca dois setores: educação e moradia. “Tivemos um número alto de educadores e estudantes na nossa campanha e vamos dar voz a eles. Já sobre a moradia, precisamos entender que morar não envolve só ter uma casa. Temos que pensar toda a cidade, saber se tem saneamento básico, se tem creche perto e se tem ônibus”, detalhou.

No que se refere às mulheres, ela explica que há muitas lacunas a serem preenchidas. Embora grande parte das ações devam ser implantadas pelo Executivo, Talíria afirma que pretende exercer um dos principais papéis do vereador: cobrar. “Niterói tem um déficit muito grande de creche. Então, a gente quer visitar todas as creches, tentar fazer uma conversa com essas mães e pensar numa ampliação de investimentos reais para crescer a oferta de vagas”, declarou.

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