Vereador quer ajudar prefeito de SG vencer a crise econômica

Por Matheus Merlim
Reeleito com 3,9 mil votos, o vereador Alexandre Gomes, de 38 anos, projeta uma parceria com o Executivo municipal para auxiliar a cidade em relação à crise econômica. Advogado há 14 anos, Alexandre promete ser um “soldado em prol da população e do bem da cidade”. Para o parlamentar, é preciso fomentar a chegada de empresas a fim de movimentar a economia interna de São Gonçalo. “O desemprego está batendo na porta da maioria dos gonçalenses e espero que o Nanci veja com bons olhos a possibilidade de trazer para São Gonçalo várias empresas”, declarou.
O SÃO GONÇALO - O que o senhor destaca como principal na sua atuação no primeiro mandato na Câmara (2013-2016)?
ALEXANDRE GOMES - Fui um opositor do governo atual por ter entendido que o prefeito não administra a cidade como deveria. E eu, na qualidade de vereador, no que me compete em fiscalizar, vi e apontei as irregularidades, tentei dialogar, mas esse foi infelizmente o maior problema dessa gestão. Eu não pude mostrar diretamente para o prefeito todos os transtornos que São Gonçalo enfrenta, embora tenha alertado da Câmara.
OSG - Qual é o maior legado que o senhor deixou durante esses quatro anos?
ALEXANDRE - Sou autor de cinco leis municipais. Então, acredito que meu maior legado foi a lei do primeiro emprego (650/2015), que determina que 10% das vagas nas prestadoras de serviço público ou com incentivos fiscais sejam destinadas para quem faz 18 anos e tem dificuldades para se inserir profissionalmente. Não poderia também me furtar em dizer sobre a lei 648/2015, que reserva vagas do térreo dos apartamentos do programa “Minha Casa, Minha Vida” para idosos e pessoas com deficiência.
OSG - Na eleição municipal, os números de abstenções, votos brancos e nulos foram muito altos. A que o senhor atribui esse resultado?
ALEXANDRE - Mesmo antes da eleição, eu tinha plena convicção que esse número muito alto de abstenções, votos brancos e nulos iria acontecer, em função da revolta da sociedade com a classe política. O grande problema é que não podemos generalizar. Em toda e qualquer classe, tem suas exceções. A minha parte eu sempre fiz e eu sentia nas ruas a certeza que a população gonçalense estava satisfeita com minha atuação.
OSG - Qual a sua expectativa para o próximo quadriênio (2017-2020) em relação ao Poder Executivo?
ALEXANDRE - Não temos como começar o ano de 2017 diferente, senão tentando ajudar o prefeito eleito José Luiz Nanci quanto aos problemas que São Gonçalo vai enfrentar. Infelizmente, ele vai encontrar uma cidade destruída, falida e com diversos problemas. Minha expectativa é que o prefeito administre com responsabilidade e compromisso, porque o povo está cansado de esperar um bom gestor. Tenho certeza que o Nanci vai conseguir resgatar a autoestima do gonçalense, tomando medidas com austeridade, cortando na própria carne cargos comissionados e reduzindo contratos.
OSG - Quais serão suas prioridades no próximo mandato?
ALEXANDRE - Meu mandato sempre foi pautado na defesa de alguns segmentos: crianças e os adolescentes; as pessoas com deficiências e os idosos, por entender que essas categorias merecem e devem ser respeitadas em São Gonçalo. Vou continuar defendendo esses segmentos, tentando ampliar seus direitos, discutindo com a sociedade civil e com o Executivo. Farei o possível para que São Gonçalo se torne uma cidade mais acolhedora, valorizada e, principalmente, respeitada.
OSG - Como o senhor avalia os impactos da crise econômica?
ALEXANDRE - Esse, com certeza, será o maior problema para o governo Nanci. Sei disso como conhecedor da causa, já que participei de uma comissão na Câmara de Vereadores há dois anos. Lá, nós identificamos o problema que aconteceria em São Gonçalo com a crise que assola o Brasil inteiro. A cidade hoje tem um orçamento de R$1,2 bilhão, do qual 70% dos recursos vem de transferências dos governos Federal ou Estadual, e 30% de recursos próprios, por arrecadação de IPTU e ISS. Então, São Gonçalo é muito refém dessas transferências, o que com a crise, cai o orçamento para quase R$850 milhões. Isso quer dizer que a cidade tem uma das piores rendas per capita. Para conseguir governar, Nanci terá de cortar 50% dos quase 11 mil cargos comissionados e rever todos os contratos já existentes.
OSG - Como o senhor observa a configuração da Câmara para o próximo mandato?
ALEXANDRE - A renovação foi muito grande, são 17 novos vereadores. Isso demonstra que a classe política tem que mudar sua forma de fazer política. O político que não se adequar ao novo momento, tem um curto espaço de tempo.
OSG - Na sua opinião, qual é a maior urgência do município de São Gonçalo?
ALEXANDRE - O desemprego está batendo na porta da maioria dos gonçalenses. Espero que o Nanci veja com bons olhos a possibilidade de trazer para São Gonçalo várias empresas. Se for necessário, que dê isenções fiscais para essas companhias. Precisamos entender que as isenções nem sempre prejudicam o município, já que você perde na arrecadação, mas ganha na geração de emprego. Com mais oportunidades, mais movimentação na economia interna. Atualmente, muitos moradores precisam trabalhar fora da cidade, o que interfere em outro setor, que é a mobilidade urbana. É uma covardia ter nosso povo enfrentando trânsito de duas horas para chegar em Niterói. É preciso pensar em transporte de massa para São Gonçalo, com a discussão da linha 3 do metrô, dos BRTs e da linha hidroviária.