‘Vou fazer uma gestão séria, com quem queira trabalhar’

‘Vou fazer uma gestão séria, com quem queira trabalhar’
Mais votado no primeiro turno, o médico e deputado estadual José Luiz Nanci (PPS) chega ao segundo turno da eleição para prefeito de São Gonçalo, confiando no reconhecimento dos eleitores aos projetos implantados e conquistas para a cidade durante seus cinco mandatos como vereador e dois na Alerj. Para Nanci, o primeiro passo, caso seja eleito, é fazer auditorias para saber como está a situação econômica do município. Sobre as alianças com ex-adversários, que fechou para o segundo turno, o candidato é enfático: “políticos ficha suja não têm nada a contribuir com a cidade”, disse.
O SÃO GONÇALO -Dois vereadores, adversários do senhor no primeiro turno, anunciaram apoio ao senhor neste 2º turno, e não ao colega de Câmara. Os dois declararam que vão assumir secretarias importantes na sua gestão, como Educação e Assistência Social, caso o senhor seja eleito. Isso não pode passar para o eleitor a ideia da política do “toma lá, dá cá”?
JOSÉ LUIZ NANCI - Não vou fatiar o governo. Faço alianças com pessoas capacitadas, que conhecem a cidade e podem desenvolver bons projetos. Diego São Paio e Marlos Costa já comprovaram isso. Na política ninguém trabalha sozinho. Foi por causa do bom relacionamento com os demais que consegui trazer bons projetos para São Gonçalo, como as obras de saneamento, a duplicação da Avenida do Contorno e mais de R$70 milhões em emendas orçamentárias. Com minha experiência vou fazer uma gestão séria, transparente, com gente que queira e saiba trabalhar pela cidade. A população precisa avaliar que alianças têm sido feitas. Políticos ficha suja não têm nada a contribuir com a cidade.
OSG - São Gonçalo já havia perdido uma área de lazer e turística, com o abandono pelo Estado da Fazenda Colubandê, que foi repassada para o município e continua sem atividades. Agora, o mesmo acontece com o Piscinão de São Gonçalo. Como o senhor pretende ‘descascar’ esses dois ‘pepinos’, que têm muita importância para a cidade?
NANCI - A primeira medida para a Fazenda Colubandê é estar lá para impedir as ações de vandalismo. Vamos retomar as atividades esportivas no espaço atrás da Fazenda, que pode atender a todas as idades. Ocupar o prédio histórico com a Secretaria de Cultura ou a de Esporte também vai ajudar a reduzir o vandalismo. A partir daí, podemos formular outras ações como eventos de cultura e estudantes. Para o Piscinão, é preciso avaliar o custo de manutenção e com pessoal caso o Governo o torne municipal. É importante que o espaço funcione, porque já são poucos os espaços públicos da cidade.
OSG - Um dos seus adversários no primeiro turno, Brizola Neto (PDT), tinha como proposta a recuperação dos Cieps da cidade, que voltariam a funcionar em tempo integral. O que o senhor acha dessa proposta?
NANCI - Vamos implantar um projeto piloto de ensino integral em dez escolas. Hoje existem três unidades que funcionam assim no município, é importante avançar. Quando fui secretário de saúde, havia atendimento odontológico e pediátrico nas escolas. Era uma forma de trabalhar a prevenção, com aplicação de flúor, tratamento de verminoses. Esse acompanhamento dava mais segurança aos responsáveis. Vamos recuperar ações como essa. Queremos cultura, esporte e saúde como uma realidade para os alunos, para que a escola seja atrativa.
OSG - Com as alianças feitas nesse segundo turno, quais projetos dos antigos adversários e hoje aliados, o senhor pretende adotar?
NANCI - Temos boas ideias em comum, e isso contribuiu para que muitas pessoas enxergassem na minha candidatura o projeto mais sério e comprometido com a população. Posso citar a proposta do Marlos de aumentar a arrecadação sem criar novos impostos, a partir da legalização de imóveis e comércios. Hoje em dia é muito difícil, muita burocracia. Um alvará que leva três, quatro meses para sair. São Gonçalo é muito dependente dos repasses dos governos federal e estadual. Nessa crise temos que ser criativos para gerar recursos por conta própria. Outro projeto interessante que o Diego sempre ressalta é garantir acessibilidade e professores de apoio nas escolas para cuidar das crianças com deficiência.
OSG - O que o senhor pode destacar, para os eleitores, como principais diferenças entre seu plano de governo e o de seu adversário?
NANCI - Eu já comprovei meu compromisso com São Gonçalo. Sou médico concursado, atendo nos bairros periféricos, pela Pastoral da Saúde. Conheço a realidade do gonçalense, a dificuldade de conseguir uma creche, o caos no pronto socorro municipal. Como político, também sempre trabalhei muito pela minha cidade. Trouxe o Programa Médico de Família, o atendimento de DST/AIDS para o PAM de Neves, ampliei o número de leitos no Hospital Luiz Palmier e criei as duas unidades do CAPS, que dão assistência psiquiátrica. Vou usar minha experiência profissional e política para retomar estes bons projetos, que hoje estão abandonados. Não adianta eu prometer construir hospital disso ou daquilo em um momento de crise. Temos que colocar para funcionar o que já temos. Trabalhar com seriedade. Nunca fui, nem serei uma pessoa que engana a população com promessas que não pode cumprir.
OSG - A campanha no segundo turno foi marcada por troca de “farpas” entre o senhor e seu adversário, que o acusa de ter muitos anos de mandatos legislativos (Câmara Municipal e Alerj), mas sem atuação concreta na cidade. O que senhor acha dessas críticas?
NANCI - Eu fico triste de ver que falam mentiras para chegar ao poder a qualquer custo. Críticas a gente faz quando tem argumento e dá exemplo. Um vereador é muito bem pago para fazer leis que melhorem a vida da população, e não para dar desculpas por não ter trabalhado, ainda mais tendo feito parte do governo atual até março desse ano. Tenho muito orgulho do que já fiz e ainda faço por São Gonçalo. Somente na Alerj tenho mais de 100 projetos aprovados, sendo 30 sancionados. Articulei passarelas para Monjolos, Marambaia e Vista Alegre e melhorias no serviço de abastecimento de água em dez bairros, destinei recursos para aquisição de ambulâncias. Foi por causa de todo esse trabalho que decidi ser prefeito.
OSG - Qual será a primeira medida a ser tomada em 1º de janeiro, caso seja eleito?
NANCI - Temos que fazer auditorias para saber de verdade como está a situação econômica e administrativa. Ver o que funciona e o que não funciona. Esse é o primeiro passo para estruturar e planejar as ações. Temos que ser responsáveis e trabalhar com seriedade com o dinheiro público.
OSG - O Sindicato dos Profissionais de Educação tem a reivindicação histórica de cinco salários mínimos para professores municipais e três e meio para funcionários das escolas. O senhor acha possível atender essa reivindicação?
NANCI - O professor está muito desvalorizado. Todo ano os ajustes saem com atraso, as escolas estão sucateadas. O piso é mais baixo que o nacional. Não posso prometer um valor específico sem avaliar o orçamento de forma profunda. Mas teremos compromisso com todos os profissionais da educação, garantindo a capacitação continuada, a merenda de qualidade e um governo que saiba ouvir, entender os servidores.