Um símbolo da paz: Mahatma Gandhi
Na manhã do dia 02 de outubro de 1869, a cidade de Porbandar, na Índia, recebeu dos céus uma iluminação especial. Neste dia, veio ao mundo Mahatma Gandhi, o idealizador e fundador do moderno Estado indiano e o maior defensor do Satyagraha, que significa princípio da não agressão, forma não violenta de protesto como um meio de revolução.
Este princípio – o do satyagraha – traduzido normalmente, como “o caminho da verdade” ou “a busca da verdade” inspirou outros ativistas democráticos como Martin Luther King e Nelson Mandela. O menino cresceu e foi estudar Direito em Londres, já que, à época, a Índia era uma colônia britânica. Formou-se, foi para a África do Sul, exercendo lá a sua profissão. Em 1914, voltou ao seu torrão natal, quando passou a se dedicar à luta pelos direitos dos trabalhadores e pela emancipação da Índia.
Segundo Gandhi, estes são os sete pecados sociais: “política sem princípios, riqueza sem trabalho, prazer sem consciência, conhecimento sem caráter, comércio sem moralidade, ciência sem humanidade e culto sem sacrifício”. Dos sete pecados sociais que ele apregoa, os responsáveis pelo bem social no nosso país, em sua maioria, têm cometido praticamente todos, pois nos tem faltado: política com princípios, riqueza com trabalho, prazer com consciência, conhecimento com caráter, comércio com moralidade, ciência com humanidade, culto com sacrifício.
Em março de 1919, Gandhi iniciou uma luta mais franca, ao convocar uma greve geral contra o domínio inglês, tatuando, na sua bandeira, o lema que o marcou durante toda a sua trajetória como cidadão indiano: a não violência. Dizia ele que “A não-violência absoluta é a ausência de danos provocados a todo ser vivo. A não-violência, na sua forma ativa, é uma boa disposição para tudo o que vive. É o amor na sua perfeição”.
Esta era a sua proposta de luta, mas, embora a greve geral realizada por ele tenha sido um sucesso, ela fugiu ao seu controle, resultando a manifestação em choques com a polícia. Mesmo assim, Gandhi continuou sua luta, seguindo firmemente o princípio da não violência e da resistência pacífica aos dominadores.
Jejuns, greves, marchas, estímulo ao não pagamento dos impostos, defesa de boicote a produtos britânicos eram as atitudes defendidas e exercidas por Gandhi. Ele dizia sempre que “Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado na outra. A vida é um todo indivisível”.
Assim, praticava o que defendia, usando, inclusive, somente roupas indianas tradicionais, com panos produzidos em seu país. Seu livro da vida era, segundo um poema escrito por ele, “Ensaiar um sorriso a quem não teve nenhum, agarrar um raio de sol e desprendê-lo onde houver noite, descobrir uma nascente e nela limpar quem vive na lama, tomar uma lágrima e pousá-la em quem nunca chorou, ganhar coragem e dá-la a quem não sabe lutar, inventar a vida e contá-la a quem nada compreende, encher-se de esperança e viver a sua luz, enriquecer-se de bondade e oferecê-la a quem são sabe dar, viver com amor e fazê-lo conhecer o mundo”.
Isto é uma verdadeira receita de humanidade. Mas não foi suficiente para que os homens entendessem a profundidade de seu pensamento e a nobreza de suas ações. Um ano após conquistar a independência da Índia, Gandhi foi morto a tiros, em Nova Déli, por um hindu rebelde. Suas cinzas foram jogadas no rio Ganges, local sagrado dos hindus. Mas ele foi autêntico e viveu de acordo com o que pensava e com o que dizia. Pregava a liberdade, a não violência, a modificação do estado político de dependência que os hindus viviam, mas apregoava aos quatro cantos: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”. Deixou de presente para nós, em palavras e ações, um aceso sentimento de amar a vida e os seres humanos, e, dentre outras, esta sentença de paz: “Olho por olho e o mundo acabará cego”