Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,2754 | Euro R$ 6,1084
Search

‘A gente quer dar voz à luta dos trabalhadores’

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 05 de setembro de 2016 - 12:00
Imagem ilustrativa da imagem ‘A gente quer dar voz à  luta dos trabalhadores’

A professora de História, Dayse Oliveira, de 50 anos, é mais uma vez candidata à Prefeitura de São Gonçalo pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Entre suas principais propostas de campanha, ela destaca a luta dos movimentos sociais, a valorização dos profissionais da Educação e da Saúde, além de tarifa zero nos ônibus da cidade. “A gente quer dar voz à luta dos trabalhadores, que são muito importantes e promovem as reais mudanças”, disse.

O SÃO GONÇALO - O que te motivou a se lançar candidata mais uma vez à Prefeitura de São Gonçalo?

DAYSE OLIVEIRA - O que me incentivou foi apresentar uma alternativa socialista, apresentar a proposta de um governo para os trabalhadores. A gente tem visto enchentes, pessoas desabrigadas, abandono na educação. A saúde está uma calamidade pública, como o próprio prefeito decretou ao assumir. Temos problemas de baixos salários, problemas graves de desempregos. Estamos querendo levantar propostas para o fim do desemprego e também queremos fazer a discussão que São Gonçalo não é uma ilha. Então, para mudar a cidade temos que mudar o conjunto da situação política do país. Por isso, temos colocado como um dos nossos eixos: Fora Temer, fora todos, greve geral e eleições gerais. Queremos dirigir São Gonçalo com os movimentos sociais, por isso a gente defende os conselhos populares e uma Câmara de Vereadores se submetendo a eles, que seria a representação dos sindicatos, do movimento estudantil, do movimento de mulheres e LGBTs. A gente quer dar voz à luta dos trabalhadores, que são muito importantes e promovem as reais mudanças.

OSG - Na sua opinião, o que São Gonçalo mais carece hoje?

DAYSE - Carece de ouvir os movimentos sociais. São Gonçalo hoje carece de educação, saúde, políticas para acabar com o machismo e com a LGBTfobia. A cidade precisa ouvir os trabalhadores. A gente defende uma São Gonçalo para os trabalhadores. Queremos levar uma proposta socialista para a cidade, com base nos conselhos populares.

OSG - Como a senhora avalia esse quadro de crise política nacional, com o desgaste dos políticos?

DAYSE - A população está vendo que entra e sai eleição, e as coisas não mudam. É isso que traz desgaste e as pessoas estão certas. Eu, por exemplo, só tenho seis segundos de tempo na TV. Ou seja, são eleições viciadas, antidemocráticas. A eleição muda a vida de quem foi eleito e não a vida da população. Eleições com voto comprado indiretamente, quando você paga pessoas para fazer campanha e apresenta pessoas da sua família, é uma forma indireta de compra de votos e isso não traz mudanças. Então, a população está correta. São eleições que, boa parte das vezes, não se debate projetos, nem propostas que realmente atendam os interesses do povo. O desgaste tem a ver com isso, já que as pessoas votam e não veêm mudanças. E o que muda isso, é a luta, a mobilização.

OSG - A legislação eleitoral sofreu diversas alterações, entre elas as novas diretrizes de financiamento de campanha e o encurtamento da campanha que passou a ser de 45 dias. Como vê essas mudanças?

DAYSE - Tem uma crise econômica, que é motivada pela queda da taxa de lucro da burguesia, dos empresários. Então, qual é a política que une todos os partidos, com exceção do nosso é claro? É fazer os trabalhadores pagarem pela crise. A nossa política é que os ricos paguem pela crise. Diante disso, para quem está querendo conservar essa política quanto menos debate, melhor. Quanto menos questionamentos para eles, é melhor. Então, o debate, a discussão interessa a quem está querendo mudar, quem está querendo modificar as coisas. Para nós, essas mudanças são negativas. Primeiro, porque diminui o debate. Segundo, cala as vozes discordantes, que tem alguma relação com o movimento social. Nós denunciamos isso desde o início. O que muda mesmo são os trabalhadores fazerem greve e continuarem a luta nas ruas.

OSG - Quais são suas principais propostas, caso for eleita?

DAYSE - A construção dos conselhos populares e o apoio a todas as lutas dos trabalhadores. Vamos destinar mais verbas para a educação, com aumento para cinco salários mínimos para professor e três e meio para funcionários. Queremos eleições diretas para diretores de escola, que foi uma vergonha das últimas greves da rede municipal, em que a Câmara rejeitou essa proposta. A questão do combate ao desemprego é central no nosso projeto. Neste campo, a gente acredita que é fundamental ter obras públicas para garantir emprego, efetivar os terceirizados para acabar com a efetivação sem desempregar. Por exemplo, quem está desempregado tem que ter isenção de pagamento de tarifa de água, luz, ter passe livre nos ônibus. O governo tem que garantir cesta básica, não pode ser “você está desempregado, se vira”. Por isso a gente parte da lógica de que o ricos devem pagar pela crise. Na questão da saúde, acho que devemos estatizar assim como os transportes, como a educação. Não dá para a saúde continuar com quem tem dinheiro vive e quem não tem, morre. Não podemos ter terceirizados na saúde, temos que ouvir a proposta dos sindicatos, tem que valorizar os salários e repor todas as perdas dos funcionários. Sem salário, sem profissionais e sem verba para a saúde não tem como fazer as coisas direito. Na questão dos transportes, que nas jornadas de junho foram muito discutidos, nossas passagens são muito caras e, por isso, vamos insistir na tarifa zero, na estatização e em uma empresa pública de transportes.

OSG - Qual análise a senhora faz dos seus principais adversários?

DAYSE - Todos eles vão manter tudo o que está aí. Por exemplo, naõ estou vendo a questão de dar voz ao movimento social. Não estou vendo uma participação orgânica nas lutas sociais. Eu participo, é uma das minhas diferenças. Milito no Sepe e construo a luta no dia a dia. E eu acho que isso é o central para garantir mudanças de verdade.

Matérias Relacionadas