‘É preciso gestão pública, com especialistas em cada área’

O médico, ginecologista e obstetra, Dilson Drumond, é o candidato do PSDB à Prefeitura de São Gonçalo nas eleições de outubro. Depois de cinco mandatos na Câmara Municipal, ele pretende trabalhar pela segurança pública, saúde e educação, caso seja eleito prefeito. Para vencer as eleições, Dilson aposta na maturidade e na experiência como gestor. “Pode ter um homem de 90 anos que tem ideias progressistas e um jovem de 20 retrógrado, que vive no século passado. Acredito que chegou o momento de São Gonçalo ter uma pessoa que assuma com a capacidade testada e comprovada em trabalho”, declarou.
O SÃO GONÇALO - O senhor já foi eleito vereador por cinco mandatos e foi deputado federal. Por que pretende trocar o Legislativo pelo Executivo?
DR. DILSON DRUMOND - Durante 20 anos, eu servi a cidade de São Gonçalo como vereador. Nesses anos, fui secretário de Governo, de anti-drogas, do trabalho. Na Câmara, assumi a frente de várias comissões, como a de saúde, de transportes, entre outras. Foram tantos anos atuando em diversas pastas e, em todas elas, nunca houve queixas, reclamações, nem denúncias de corrupção. Então, acho que após todos esses anos, São Gonçalo necessita ter um governo mais claro, que dê mais satisfação à sociedade, que tenha mais transparência. Acredito que chegou o momento da cidade ter uma pessoa para dar essa transparência para que a população saiba o que está acontecendo.
OSG - O que o senhor acha do desgaste político das figuras tradicionais? O quadro atual é de renovação? Como o senhor vê isso?
DILSON - Acredito que as renovações são de ideias, e não de idades. Não acho que, por exemplo, um jovem de 20 anos, só por ser novo, vá trazer renovação. O que precisa ser renovada são as ideias. Pode ter um homem de 90 anos que tem ideias progressistas e pode pegar um jovem de 20, retrógrado, que vive no século passado. Acho que existem candidatos jovens, que não têm experiências administrativas, não são gestores públicos. E, acredito que chegou o momento de São Gonçalo ter pessoas que assumam com a capacidade testada e comprovada em trabalho.
OSG - Qual será sua prioridade, caso seja eleito?
DILSON - Montamos um grupo e fizemos um plano de governo com muitas ideias, debatidas por muitas cabeças. Não me considero um ditador, que vá dizer que a cidade deve ser dessa ou daquela maneira. É preciso uma gestão pública, com especialistas em cada área. E dentro dessas áreas, a gente trabalha em primeiro lugar pela segurança pública, que está um desastre. Acho que o confronto armado não é o ideal, não é o que a cidade quer. A troca de tiros entre o Estado e o malfeitor sempre acaba em tragédia. Acho que a segurança tem que ser de inteligência e ela passa por diversos fatores: poda de árvores, iluminação pública e pavimentação. Acredito muito na sensação de segurança, porque a partir do momento que o gonçalense vai andar em uma rua iluminada, que tem uma boa poda, tem um trânsito normal, a situação muda. Se avançarmos um pouco mais, chegamos à tecnologia, com ruas monitoradas por câmeras. Precisamos de uma São Gonçalo muito bem vigiada e muito bem policiada. Acredito também que nossa Guarda Municipal deveria ser melhor utilizada, com uma reorganização do plano de cargos e salários. Mas tudo isso só vai funcionar, se aumentarmos o efetivo da polícia militar na cidade. Falta da autoridade pública municipal, no caso o prefeito, uma comunicação melhor com as autoridades de segurança estaduais e federais.
OSG - Qual a análise que o senhor faz de seus principais adversários?
DILSON - Acredito que todos eles que estão pleiteando o cargo têm um objetivo para a cidade. Acho que todos os candidatos, sem exceção, são principais adversários, não destaco ninguém em especial. Mas, eu gostaria que todos eles tivessem experiência em gestão, conhecimento, e que soubessem o que fazer quando assumir o município. Gostaria que tivessem um plano de governo já montado para a cidade e não chegar no dia 1º de janeiro, como aconteceu na última vez, e não ter um secretário de saúde. Minha equipe já tem um planejamento pronto.
OSG - Como médico da rede particular, como o senhor pretende cuidar da saúde pública? Pode haver conflito de interesses?
DILSON - Prefiro que a pergunta, se pudesse refazê-la, fosse: “como médico, não só da rede particular...”. Fui diretor de vários hospitais, entre unidades públicas de saúde. Então não só como médico, mas como gestor de saúde, acredito que a saúde de São Gonçalo, hoje, perdeu toda a rede complementar. Hoje, o morador não consegue fazer um hemograma completo pelo SUS, porque os laboratórios não estão fazendo. A rede privada conveniada ao SUS é praticamente inexistente em São Gonçalo. Acredito que nós deveremos, se eleito for, chamar a rede privada através de chamadas públicas para prestar o serviço complementar. Há de ser feito uma complementação por parte do município, já que a tabela SUS é muito defasada. Há 12 anos não há um aumento da remuneração dos profissionais.
OSG - Quais são suas principais propostas para a educação?
DILSON - Eu tenho certeza que São Gonçalo tem vários problemas, muito graves por sinal. Na educação, queremos eleições para diretores da rede municipal por pleito direto, juntos a comunidade escolar, e não nomeadas. Também acredito que a merenda escolar deve ser descentralizada. A direção da escola que deveria ter a responsabilidade de efetuar a compra do alimento para a unidade, claro que sob controle, com prestação de contas mensais do que foi comprado. Com isso, vamos acabar com o problema da entrega de alimentos estragados ou vencidos, que é muito comum com as empresas que centralizam a merenda. Ao descentralizar, você também melhora a qualidade. E, por fim, ainda fomenta o comércio da região próxima à escola. Acredito então que só temos a ganhar, já que diminui em grande escala a corrupção na merenda da rede pública. São Gonçalo tem uma péssima arrecadação, mas dentro desse pouco, vamos tentar economizar, evitando desperdício e corrupção.
OSG - As últimas pesquisas apontam um empate técnico entre o atual prefeito e outros dois candidatos. Se o senhor for ou não para o segundo turno, qual seria a estratégia para estabelecer alianças?
DILSON - Nossa estratégia para estabelecer qualquer apoio ou aliança será ouvir daqueles candidatos que forem para o segundo turno, se por acaso não for eu, aquele que apresente a melhor política para o nosso município. Aquele que eu achar que tem mais condições para ser um bom governante, eu o procurarei ou ele me procurará para fazer um acordo político, simplesmente isso. Não tenho preferência por nenhum candidato, até porque tenho certeza que vou estar no segundo turno.