Fim da escala 6x1: Senado prevê votação da proposta nesta quarta-feira (14)
PEC prevê redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial; texto ainda precisa passar por duas votações no Senado

O debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil entra em uma etapa decisiva nesta semana. O Senado Federal prevê votar, na quarta-feira (14), em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que estabelece mudanças na jornada de trabalho e amplia o período de descanso semanal dos trabalhadores. A votação foi anunciada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados, em dois turnos, em maio deste ano, e recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em setembro. Agora, o texto está em análise no plenário da Casa, onde precisa cumprir as etapas regimentais antes de ser submetido à votação.
A previsão é que a matéria passe por sessões de discussão nesta terça-feira (13) e na quarta-feira (14), antes da votação em primeiro turno. O calendário pode sofrer alterações caso haja acordo entre os parlamentares para acelerar a tramitação.
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O que muda com o fim da escala 6x1?
A PEC 221/2019 prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana, preferencialmente aos domingos.
A proposta também estabelece uma jornada de até oito horas diárias, distribuída em até cinco dias de trabalho. A implementação ocorreria de forma gradual, com regras de transição previstas no texto.
Na prática, a mudança busca substituir o modelo de seis dias trabalhados para um de descanso por uma organização que permita dois dias de folga semanais. A escala 6x1 é adotada em diferentes setores da economia, incluindo comércio, serviços e atividades que exigem funcionamento contínuo.
O que falta para a proposta ser aprovada?
Por se tratar de uma emenda à Constituição, a PEC precisa receber, no Senado, pelo menos 49 votos favoráveis — o equivalente a três quintos dos 81 parlamentares — em dois turnos de votação.
Após a primeira votação, o texto precisa passar por mais três sessões de discussão antes de ser submetido ao segundo turno, conforme o rito regimental. Se for aprovado sem alterações, o processo legislativo poderá avançar para a etapa de promulgação.
Caso os senadores modifiquem o conteúdo da proposta, o texto deverá retornar à Câmara dos Deputados para nova análise. Portanto, mesmo com a votação prevista para esta semana, o fim da escala 6x1 ainda não está definido.
Debate divide parlamentares
A tramitação da proposta é acompanhada por divergências entre os parlamentares sobre o ritmo de votação e os efeitos da redução da jornada de trabalho. Enquanto defensores da medida buscam acelerar a análise, setores da oposição questionam a condução do processo e articulam estratégias para adiar a decisão.
Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo em 11 de outubro, parlamentares contrários à aceleração da tramitação discutem a possibilidade de esvaziar sessões ou propor mudanças no texto que obriguem a matéria a retornar à Câmara. O governo, por sua vez, busca apoio para um requerimento que permita encurtar o calendário de análise.
O debate envolve questões como a qualidade de vida dos trabalhadores, a organização das empresas, os custos operacionais e os possíveis impactos sobre a produtividade. Esses aspectos integram as discussões políticas em torno da proposta, mas não alteram a situação legislativa atual: a PEC ainda depende de aprovação no plenário do Senado.
Quando a nova escala poderá entrar em vigor?
Não há uma data definitiva para o fim da escala 6x1. A mudança depende da aprovação da PEC nas duas votações do Senado e da conclusão do processo constitucional.
Pelo texto em análise, a implementação ocorreria de maneira gradual, com previsão de transição. Assim, a votação desta quarta-feira representa uma etapa importante da tramitação, mas não significa que os trabalhadores passarão imediatamente a ter dois dias de folga por semana. Até a conclusão do processo, permanecem válidas as regras trabalhistas atualmente em vigor.
*Com informações da Agência Brasil e do Senado Notícias e da Folha de S.Paulo.