‘A gente quer trazer o eleitor para governar junto conosco’

Após perder a eleição para prefeito em 2012 por poucos votos, o ex-deputado estadual e ex-secretário estadual de Saúde, Felipe Peixoto (PSB), concorre mais uma vez ao Executivo da cidade e acredita que a experiência adquirida na Câmara e no governo estadual será fundamental para administrar o município, caso eleito. Uma das propostas de Felipe é fortalecer a Segurança Pública em parceria com a PM através da volta do Proes, com o Município pagando horas extras de policiais. “Com isso, vamos aumentar o efetivo em quase 150 policiais a mais por dia nas ruas da cidade. Com metade do que o atual prefeito gastou com publicidade, conseguiremos dobrar o efetivo do batalhão de Niterói”, afirmou.
O SÃO GONÇALO -Qual sua expectativa para as eleições deste ano?
FELIPE PEIXOTO - É uma campanha tiro curto, de 45 dias, mas estamos trabalhando há muito tempo nesse projeto. Discutimos um programa de governo ao longo de dois meses, ouvindo a sociedade, fizemos reuniões temáticas e regionais, com objetivo de ouvir a população e elaborar um plano de governo colaborativo. Não queremos assumir a Prefeitura e fazer um trabalho desconectado da sociedade. Hoje em dia todo mundo quer participar, todo mundo tem “smartphone” e quer opinar. E a gente quer trazer a população para governar junto conosco.
OSG - Esse prazo curto pode atrapalhar a campanha?
FELIPE - A grande dificuldade é você pressurizar uma campanha. Na pratica, a eleição tinha cerca de um mês para se organizar, montar galpão, preparar material. Então, quem tiver melhor organizado, vai ter condição de pegar esse tempo mais curto. E a gente se organizou, se preparou para isso e estamos começando a campanha de rua, de panfletagem, com todo material. Então acho que não prejudica, esses 45 dias é mais que suficiente para defendermos nossas ideias e propostas.
OSG - Na última eleição o senhor perdeu por cerca de 12 mil votos. O que faltou?
FELIPE - Acho um grande desafio a questão do voto nulo e abstenção. Um terço da população de Niterói não votou na eleição passada e isso é preocupante. Porque se as pessoas querem mudar o que está aí, elas precisam ir votar. E, para isso, temos duas campanhas. A primeira é de pedir o voto e a segunda é convencer as pessoas de irem votar. Então, acho que faltou na campanha passada a conscientização da importância da eleição e de que tivessem ido votar. Não tenho dúvida nenhuma que, se essa parcela tivesse ido votar, nós ganharíamos a eleição.
OSG - O que achou do resultado da pesquisa realizada pelo GPP/O SÃO GONÇALO que o colocou em empate técnico com Rodrigo Neves (PV) no primeiro e segundo turno?
FELIPE - É um reflexo da eleição passada, que foi muito disputada. E é uma demonstração de que o governo dele nada fez pela cidade. Porque alguém que sai de uma eleição, como foi a passada, e hoje, três anos e meio depois, não tem o que apresentar para a população, significa que não está no caminho certo. E também é sinal de que grande parte tem rejeição à imagem dele. Acho que a pesquisa foi muito positiva, exatamente, para que a população tivesse informações sobre como pensa a sociedade de Niterói.
OSG - Como cria do PDT, como vê hoje, uma das principais figuras do partido, o ex-prefeito Jorge Roberto apoiando seu adversário?
FELIPE - Eu tive que sair do PDT e tenho respeito ao Jorge, à história dele, a tudo que ele fez nos primeiros mandatos, mas eu não poderia aceitar a proposta que foi feita, de eu ser vice do Rodrigo. Até porque eu já disputei algumas eleições contra o Rodrigo e jamais iria me ver como vice dele. Acho que a população de Niterói quer mudanças e jamais poderia participar de uma aliança com alguém que está envolvido na lava-jato, que está citado na delação premiada do Ricardo Pessoa, que abandonou nossa cidade nos últimos três anos e meio. Então, foi difícil sair do PDT, foi doloroso, onde tive 30 anos de militância. Mas tive que tomar essa decisão pelo desejo de renovação. E tenho certeza que se não fizesse esse movimento, a população não me perdoaria.
OSG - Como você avalia a citação de Rodrigo Neves na Lava-Jato?
FELIPE - Essa amizade do Rodrigo com o Ricardo Pessoa é antiga. Ele recebia doações da UTC desde a época de vereador. A UTC sempre fui grande financiadora das campanhas do Rodrigo. Ele, inclusive deu um título para o Ricardo Pessoa na Assembleia Legislativa. Meu último ato como deputado, foi a revogação dessa homenagem. Rodrigo foi citado também na lista da Odebretch divulgada pela imprensa, e ainda cancela a licitação de um túnel, que já tinha uma empresa vencedora, e custava R$170 milhões, para dar essa obra, sem licitação, ao empresário Ricardo Pessoa, através da Constram, que ele também é dono.
OSG - A poulação de Niterói vive uma situação de insegurança nas ruas. O que fazer para minimizar esse problema?
FELIPE - A primeira coisa que a gente precisa fazer é trazer para Niterói de novo o Proes, em que a prefeitura pagava a hora extra dos policiais. Com o Proes, tínhamos 146 policiais a mais por dia do que temos na rua hoje. Isso significa dobrar o efetivo do batalhão, que tem hoje 960 policiais. Com isso, a gente vai gastar R$460 mil por mês. Mas se a gente pegar a metade do que o prefeito gastou com publicidade, conseguimos dobrar o efetivo do batalhão de Niterói.
OSG - Que outras propostas o senhor tem para apresentar?
FELIPE - Outra questão importante são as creches. Todo mundo que tem filho na rede particular, pode pegá-lo até 19h. Com essa vida moderna, em que o pai e mãe trabalham fora, é fundamental estender o horário das creches e escolas até às 19h. Isso não quer dizer que a criança terá mais tempos de aula. O que a gente quer é que a criança continue estudando até às 17h, mas que o responsável possa buscar o filho nesse intervalo de duas horas. E ao longo desse horário, de cinco às sete, a criança terá reforço escolar, atividade cultural e esportiva. Ou seja, será cuidado pela escola até os pais buscarem.
Outra prioridade será abastecer os postos de saúde com medicamentos. É uma vergonha não ter remédios no ‘médico de família’. Vamos também estender o horário, para que possa atender a população também aos sábados, que tem uma demanda de quem trabalha fora e precisa da flexibilidade no fim de semana.
OSG - Como avalia sua passagem pela Secretaria de Saúde do Estado? O senhor acha que isso pode atrapalhar sua campanha?
FELIPE - Foi um grande aprendizado. Assumir a Secretaria de Saúde em meio a uma crise que o Estado está vivendo até hoje foi um grande desafio. Muita gente fala que eu não deveria ter assumido, porque prejudicaria minha imagem. Mas assumi, porque o governador me deu aquela missão, foi um pedido pessoal dele para mim, e eu entendi que seria uma missão a ser cumprida por um ano. Nesse tempo, ajudei a fazer a gestão e aprendi muito. Mesmo sem dinheiro, consegui ficar um ano lá, enfrentando todos os desafios que é gerir um orçamento daquele sem dinheiro. O governador fez até um pedido para que eu continuasse, mas sentei com ele e falei que meu compromisso era de um ano e que não tinha condições de ficar mais. Então, acho que esse aprendizado me dá mais condições de assumir a Prefeitura de Niterói.