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‘A população de Niterói vai ver que é hora de mudança’

relogio min de leitura | Redação 17 de agosto de 2016 - 12:00
Imagem ilustrativa da imagem ‘A população de Niterói vai ver que é hora de mudança’

Candidato pela 2ª vez à Prefeitura de Niterói, o deputado estadual e professor de Sociologia, Flavio Serafini (PSOL), 36, pretende fazer uma reforma na máquina administrativa da cidade, caso seja eleito. Ele destaca que as prioridades de seu governo serão reduzir o número de cargos comissionados, acabar com as terceirizações em diversas áreas e realizar concurso público nos principais setores, como educação e saúde. Aparecendo em 3º lugar em pesquisa realizada pelo Instituto GPP, Serafini crê que vai dupatar o 2º turno. “De alguma forma, os outros dois candidatos representam uma experiência de gestão que está se revezando em Niterói nos últimos 25 anos, com pouca diferença. Então acho que a população de Niterói vai ver que é hora de mudar”, disse.

O SÃO GONÇALO - Que experiência da eleição passada, quando ficou em 3º lugar com uma expressiva votação, o senhor traz para essa eleição?

FLÁVIO SERAFINI - Mesmo com todas as limitações que temos no processo eleitoral, é possível crescer numa campanha com debate, trazendo ideias para transformar a cidade, discutindo com profundidade os problemas do município e possíveis soluções.

OSG - Diante do atual quadro de crise política, com políticos tradicionais citados em casos de corrupção, como pretende atrair a atenção dos eleitores para suas propostas?

SERAFINI - Queremos mostrar que nossa campanha é diferente, que na prática nunca recebeu dinheiro de empresário. É uma campanha que traz contribuições de um debate programático para a cidade e busca fazer alianças sociais, mas não entra no jogo da captação de siglas em troca do loteamento de cargos. É uma campanha que luta contra aquilo que as pessoas criticam, que estão cansadas de ver sobre loteamento de cargos, benefícios privados ao invés de públicos.

OSG - Qual o valor calcula que vai custar sua campanha? Como pretende arrecadar esses recursos?

SERAFINI - Quanto a gente vai conseguir arrecadar, varia. A gente imagina que entre R$300 e R$600 mil, mas depende daquilo que a sociedade conseguir mobilizar para financiar nossa campanha. Desde a última campanha não aceitamos dinheiro de empresários, o que agora é proibido por lei. É possível que as pessoas procurem doadores ricos para fazer grandes doações, mas nós não vamos seguir essa lógica, porque em última instância, tem a mesma perspectiva do “rabo preso”. Ou seja, você procura alguém que tem alto poder econômico e depois fica devendo favor. Nossa campanha será cidadã, com doações pequenas.

OSG - Caso eleito, quais seriam as prioridades?

SERAFINI - Em primeiro lugar, a gente pretende reformar a máquina administrativa. Reduzir cargos comissionados, acabar com as terceirizações e fazer concurso público para garantir que a Educação de Niterói atenda a população. Vamos criar mais escolas, garantir o funcionamento da rede de saúde, onde falta de tudo. E, em segundo lugar, repensar o crescimento da cidade. Niterói é, hoje, o quarto metro quadrado mais caro do Brasil e a cidade fora de capital mais cara. A gente quer repensar essa forma de ocupar o solo, para que a gente tenha de um lado um crescimento que esteja de acordo com a infraestrutura urbana, sem espigões e sem verticalização exagerada. E, por outro, a garantia de moradia digna, fazendo regularização fundiária, pensando em intervenções nas áreas mais pobres para garantir que sejam integradas à cidade.

OSG - Qual a sua avaliação sobre a citação do nome do prefeito Rodrigo Neves em investigações da Lava Jato?

SERAFINI - Eu representei junto ao Ministério Público, solicitando que fosse aprofundada a investigação sobre a relação dele com Ricardo Pessoa, dono da UTC, empresa que faz a principal obra viária de Niterói, através de um regime diferenciado de contratação, que não é a licitação tradicional. Acredito que ele tenha um nível de comprometimento com essa relação das empreiteiras. Todos têm que ser investigados e punidos dentro da lei. Precisamos mudar o sistema político para que o poder financeiro e das máquinas partidárias, que estão se apropriando do Estado de forma fisiológica, sejam reduzidos.

OSG - Quais são suas propostas para Educação?

SERAFINI - Destaco duas questões fundamentais. Uma é que temos que ampliar nossa rede, que é a menor do Estado do Rio. Temos que transformar o espaço escolar num espaço melhor para desenvolver o projeto de educação integral. Com escolas maiores, com quadras esportivas, bibliotecas, salas de artes, para que assim possamos ter horário integral. Então destaco a necessidade de ampliar e melhorar a rede qualitativamente. Logo de cara, pretendemos assumir os três CIEPs abandonados na cidade, para ampliar em atémais dois mil alunos para 2017.

OSG - O senhor acha que o tempo reduzido das eleições, de 45 dias, pode atrapalhar a campanha?

SERAFINI - Acho que atrapalha o debate, sem dúvida nenhuma. Você ter menos tempo de campanha significa ter menos debate, menos troca de ideias. Essa foi uma das piores mudanças que aconteceram nessa nova legislação eleitoral. A redução do tempo de campanha e a nova distribuição dos tempos de TVs, que favorece os grandes partidos e enfraquece os pequenos.

OSG - O que o senhor achou dos números publicados em pesquisa do GPP para OSG, mostrando empate técnico entre Rodrigo Neves (PV) e Felipe Peixoto (PSB), com o senhor em terceiro?

SERAFINI - Mostra que vai ser uma eleição muito disputada. O Rodrigo e o Felipe disputaram o 2º turno na eleição passada, já têm um histórico de eleições maior que eu em Niterói. Então, é normal que saiam na frente. E a nossa candidatura está colocada, a gente já sai hoje de um patamar bem alto, sendo que o Rodrigo, com essas questões de envolvimento na Lava-Jato, tem um ponto fraco. Assim como o Felipe Peixoto, que teve uma gestão na Secretaria de Saúde desastrosa, com remédios vencendo, hospitais fechados com tapume. De alguma forma, os dois representam uma experiência de gestão que está se revezando em Niterói nos últimos 25 anos, com pouca diferença. Então acho que a população de Niterói vai ver que é hora de mudar e a gente não tem dúvida que nosso caminho é o do segundo turno. A gente acredita que é possível ano que vem estar governando Niterói.

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