CPI do Crime Organizado ouve ex-chefe do Banco Central e jornalista investigativa nesta terça-feira
Responsável por liderar a área de fiscalização de instituições financeiras entre 2019 e 2024, o ex-servidor está sob investigação da Polícia Federal em apurações que envolvem possíveis fraudes relacionadas ao Banco Master

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado realiza, na manhã desta terça-feira (24), uma sessão dedicada à oitiva de Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central.
Responsável por liderar a área de fiscalização de instituições financeiras entre 2019 e 2024, o ex-servidor está sob investigação da Polícia Federal em apurações que envolvem possíveis fraudes relacionadas ao Banco Master. Atualmente afastado, ele foi convocado após requerimentos dos senadores Humberto Costa (PT-PE) e Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da comissão.
Ao justificar a convocação, Vieira citou decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo o banco.
“Há indícios da existência de estrutura organizada voltada à prática de crimes contra o sistema financeiro nacional, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional, fraude processual e obstrução de justiça, envolvendo pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao conglomerado financeiro Banco Master e a agentes públicos que teriam atuado em benefício dos interesses do grupo investigado”, destacou o relator.
Além de Santana, a CPI também ouve, na mesma sessão, a jornalista investigativa Cecília Olliveira, fundadora do Instituto Fogo Cruzado. O convite partiu do próprio relator.
Segundo Vieira, a participação da jornalista pode contribuir para ampliar a compreensão sobre a dinâmica das facções criminosas, com base em dados independentes e na experiência acumulada ao longo de anos de cobertura especializada.
“Para além das informações oficiais e dos dados de inteligência providos pelas autoridades públicas, é fundamental que este colegiado tenha acesso ao conhecimento acumulado por profissionais da imprensa que dedicaram anos de suas carreiras à cobertura especializada da área de segurança pública e à investigação jornalística do crime organizado”, afirmou.