Alerj sugere campanha para fiscalização de gás

Deputados fizeram audiência pública sobre a explosão em conjunto habitacional ontem -
Na audiência pública que discutiu as investigações sobre a explosão ocorrida no conjunto habitacional Fazenda Botafogo, em Coelho Neto, a Comissão de Defesa Civil da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) decidiu sugerir ao Governo do Estado a criação de campanhas sobre a lei que determina a realização de vistorias das instalações de gás em edifícios residenciais e comerciais a cada cinco anos (Lei 6.890/14). A reunião, realizada ontem, contou com representantes da Companhia Estadual de Gás (CEG), da Agência Reguladora de Serviços de Saneamento e Energia (Agenersa) e do Corpo de Bombeiros.
Para o presidente da comissão, deputado Flávio Bolsonaro (PSC), a desinformação ainda é um grande problema para muitos moradores. "Eu tenho a absoluta certeza de que muita gente não sabe sobre a obrigação de fiscalizar e fazer a manutenção de suas instalações de gás. Vamos oficiar o governo para que ele crie uma campanha a fim de difundir essa informação tão vital, que pode salvar vidas", afirmou Bolsonaro.
Vistoria – O presidente da Companhia Estadual de Gás (CEG), Bruno Armbrust, declarou que a empresa é responsável pela manutenção das tubulações e válvulas em ruas e ambientes públicos. Já nos ambientes privados e condomínios, os proprietários devem contratar uma empresa para prestar o serviço, como prevê a legislação estadual.
Condomínio da Marinha fez a instalação externa nos blocos
O acidente ocorrido no Rio e que matou cinco pessoas, há duas semanas, coloca em discussão a segurança da canalização de gás em edificações. Em São Gonçalo, por exemplo, grande parte das edificações possuem gás encanado, obedecendo o decreto 897, de 21 de setembro de 1976, que dispõe sobre segurança contra incêndio e pânico no estado do Rio.
No texto é vetado a utilização de botijões de gás em prédios residenciais com mais de cinco ou a novos prédios com destinação recreativa, hoteleira, comercial ou a qualquer outra que estimule ou provoque a concentração de público, bem como as novas edificações situadas dentro do perímetro urbano.
Foi para se adequar à legislação que a administração do Condomínio da Marinha, na Rua Alfredo Backer, em, Alcântara, se adequou às normas e instalou gás canalizado em todos os mil apartamentos dos 10 blocos.
De acordo com a subsíndica do Edifício Beira Rio, Rose Gomes, há mais de 15 anos é proibido o uso de botijões de gás nas edificações. Mas segundo ela, sempre que acontece uma tragédia como a Rio recentemente, a preocupação vem à tona.
“Pensando na segurança de todos e obedecendo a legislação, adotamos o gás encanado. Mas é claro que nos preocupamos. Nunca tivemos relatos de problemas em nosso condomínio e sempre que ligamos para a CEG somos atendidos. Mas, na minha opinião, ainda faltam campanhas educativas e didáticas para que o usuário saiba perceber quando há algum problema. Não vejo nenhum esforço em relação a isso”, disse.
Um dos funcionários mais antigos do prédio, o porteiro Clodoaldo Pereira, de 45 anos, lembrou que a tubulação de gás passava por dentro dos apartamentos e, por determinação dos bombeiros, passou para a parte externa.
“Há alguns anos houve uma vistoria e os bombeiros condenaram o modelo antigo de distribuição de gás. Segundo eles, na parte externa não há risco de explosões”, afirmou.
Especialista alerta para os riscos
Para o professor de elétrica do curso Gear, em Alcântara, José Antônio Azeredo, a causa dessas explosões pode estar no sistema utilizado para a canalização do gás, já que segundo informado, a tubulação seria subterrânea.
“Além de antiga pelo que sabemos não havia circulação de ar suficiente e isso causa o acúmulo. Em ambientes confinados é preciso usar equipamentos à prova de explosão, que são blindados e têm um sistema suficientemente vedado para não propagar a explosão. O que acontece é que o custo desse equipamento é bem alto”, disse.
Ainda segundo o professor, no caso de instalações externas não há riscos, bem como a instalação de botijões fora do ambiente confinado. “Toda a tubulação assim como os botijões precisam ficar em um ambiente aberto onde haja circulação de oxigênio. Se tomada essas medidas, não há o que temer. Mas é importante que haja fiscalização periódicas e visitas de técnicos caso o usuário tenha suspeita de vazamentos”, afirmou