Sem mudanças nos ministérios

A presidente Dilma Rousseff disse, ontem, que o Palácio do Planalto não pretende fazer qualquer reestruturação ministerial antes do processo de votação do impeachment na Câmara dos Deputados. Na semana que vem, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar a validade da posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cargo de ministro da Casa Civil.
Perguntada se considera como precipitada a saída do PMDB do governo, Dilma respondeu que não avalia “ação de partido” e que vai manter os ministérios. “Nós não iremos mexer em nada. O governo não está avaliando nenhuma mudança. Eu não faço avaliações sobre ações partidárias, porque isso não é algo adequado para uma presidente”. No final de março, o PMDB, que era o principal partido da base aliada, decidiu deixar de apoiar o governo. O partido ocupa seis ministérios no governo Dilma.
A presidente voltou a dizer que, sem estabilidade política, fica muito difícil conseguir a recuperação da economia e a geração de empregos. Segundo Dilma, a oposição tem criado instabilidade desde que assumiu o segundo mandato. “Tem uma (pauta-bomba) transitando no Congresso. É uma pauta-bomba de hidrogênio, porque ela tem um impacto de R$ 300 bilhões ao transformar os juros das dívidas dos estados em juros simples”, afirmou.
Lula – O ministro Gilmar Mendes, do STF, disse, ontem, que a Corte deve julgar, na semana que vem, a validade da posse do ex-presidente Luiz no cargo de ministro da Casa Civil. Mendes afirmou que logo após receber o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) vai liberar os recursos da defesa de Lula e da Advocacia-Geral da União (AGU) para o Tribunal decidir.
No dia 18 de março, Gilmar Mendes suspendeu a posse de Lula na Casa Civil, por entender que a nomeação do ex-presidente teve objetivo de retirar a competência do juiz Sérgio Moro para investigá-lo. A investigação na Operação Lava Jato apura suposto favorecimento de Lula na compra da empreiteira OAS de um apartamento no Guarujá, e por benfeitorias em um sítio frequentado pelo ex-presidente, em Atibaia, interior de São Paulo.