‘Não existe educação sem valorização dos profissionais’

Professor de geografia, Josemar Carvalho, de 40 anos, tem histórico atuante em movimentos sociais. Começou a sua militância no movimento estudantil secundarista em 1991 e participou do “Fora Collor”, no ano seguinte. Integrou também o movimento de Transportes, o Diretório Acadêmico de Geografia e o Diretório Central dos Estudantes da UFF. Foi membro do Coletivo estadual de juventude do PT, partido do qual se desligou em 2003, quando discordou dos rumos do Governo, para fundar o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), em que é presidente do diretório de São Gonçalo. Já foi candidato ao Executivo gonçalense pela coligação PSOL-PCB nas eleições de 2008 e 2012. Atualmente, é primeiro suplente de deputado estadual pelo PSOL e quer retomar a pré-candidatura na cidade.
O SÃO GONÇALO - Como e por que o senhor decidiu investir em uma pré-candidatura?
PROFESSOR JOSEMAR - Na verdade, minha candidatura não é um desejo pessoal. É uma candidatura de um coletivo político-partidário do PSOL. A gente vem trabalhando no crescimento do partido em São Gonçalo desde a fundação, quando tive a honra de ser candidato em 2008 e 2012. O partido vem crescendo, principalmente, por causa do questionamento político que existe no Brasil sobre a falsa polarização entre o PT e o PSDB. E como tenho defendido bem o programa e as causas do PSOL, a gente está apostando no meu nome como uma possibilidade para concorrer à prefeitura.
OSG - Qual projeto de governo tem em mente? O que seria prioridade caso o senhor vencesse as eleições?
JOSEMAR - Entre as prioridades, vamos investir na educação. Precisamos valorizar os profissionais, ampliar o número de creches e de escolas. Diferente do governo atual, temos a perspectiva de valorizar o professor e o funcionário. Não existe educação de qualidade sem valorização dos profissionais. Além disso, queremos trabalhar de forma democrática a gestão das escolas, com eleição para diretor, com o conselho escola/comunidade funcionando e achamos que o secretário de educação deve ser eleito em assembleia que envolva os profissionais de educação. Não pode ser simplesmente uma indicação do prefeito. Em relação ao transporte, queremos por fim ao Consórcio São Gonçalo, que hoje não reflete as necessidades da população. Queremos reformular e criar novas linhas. Como prefeito, não terei poder de construir a linha 3 do metrô, mas vou lutar junto as esferas superiores para que se concretize o metrô e as barcas. São Gonçalo, hoje, é uma cidade de um milhão de habitantes, ou seja, somos 0,5% da população brasileira e, mesmo assim, não temos os recursos destinados para cá. Outro ponto que é fundamental para nós é a regularização do transporte alternativo. Na saúde, queremos investir nos métodos preventivos. Já em relação ao meio ambiente, queremos valorizar as duas Áreas de Proteção Ambiental (APAs), fazer parcerias no desenvolvimento tecnológico e científico das universidades daqui da cidade para construção delas. Ainda precisamos desenvolver programas de renda mínima e outros projetos sociais. A prefeitura precisa ser um lugar que fomente cultura, que infelizmente a atual gestão não fez.
OSG - Há pretensão de estabelecer coligações com outras legendas? Existe a possibilidade de que a sua pré-candidatura se converta em apoio a uma outra candidatura?
JOSEMAR - No nosso marco, queremos construir uma aliança do PSOL com o PCB e, se possível, com o PSTU. Vamos sentar, conversar, avaliar e fazer as devidas composições de organização. Não há essa possibilidade de conversão, mas queremos construir uma frente de esquerda com esses partidos, visto que, para nós, o PT já deixou de ser de esquerda faz tempo.