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‘Vamos devolver a cidade para os moradores dela’

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 21 de março de 2016 - 00:00
Imagem ilustrativa da imagem ‘Vamos devolver a cidade para os moradores dela’

Professor de Sociologia, o deputado estadual Flavio Serafini (PSOL), de 35 anos, é um dos pré-candidatos na disputa pelo Executivo de Niterói. O parlamentar começou sua história na militância cedo, aos 16 anos, pautado na defesa do passe livre e do acesso à cultura. “Pretendemos combater a especulação imobiliária e colocar freios na “sanha” desse setor, além de ampliar os investimentos em saúde e educação pública. Apostar em uma política de segurança pública baseada na inteligência, na prevenção e na defesa da vida também são pautas do nosso plano de governo”, afirma Serafini.

O SÃO GONÇALO - Como e por que o senhor decidiu ser pré-candidato a prefeito de Niterói?

FLAVIO SERAFINI - A nossa pré-candidatura nasce de uma demanda coletiva. Não é um projeto individual. A militância do PSOL aprovou por consenso o meu nome como representante de um projeto para retirar a cidade das mãos da especulação imobiliária, das grandes corporações e fazer uma cidade das pessoas e para as pessoas. Os sucessivos governos do PDT e do PT, que há anos se revezam na Prefeitura de Niterói, fazem parte de uma mesma política que privilegia a lógica da cidade negócio. E isso ficou bem evidente no projeto da OUC (Operação Urbana Consorciada; projeto de reestruturação do Centro) e do PUR (Plano Urbanístico Regional) de Pendotiba que atendem aos interesses das empreiteiras de sempre, as mesmas que estão envolvidas no escândalo da Lava Jato. A nossa candidatura nasce, portanto, do anseio de mudança da juventude, dos trabalhadores e dos movimentos sociais. Queremos romper com a velha política e construir uma alternativa baseada no protagonismo popular e no direito à cidade para os moradores dela.

OSG - Qual projeto de governo tem em mente? O que seria prioridade caso o senhor vencesse as eleições?

Serafini - Combater a especulação imobiliária e colocar freios na “sanha” desse setor será algo central na nossa atuação. Ampliar os investimentos em saúde e educação pública também. Apostar numa política de segurança pública baseada na inteligência, na prevenção e na defesa da vida. Construir uma lógica de gestão pública que respeite o meio ambiente. Levar projetos e espaços culturais para além da região do Centro e Icaraí, promovendo a descentralização da cultura em Niterói e democratizando o acesso. Acabar com as secretarias regionais e reverter esses recursos para áreas sociais. Extinguir a maior parte dos cargos comissionados e promover concursos públicos. Valorizar e estimular os servidores públicos para que tenham as condições necessárias de prestar bons serviços à população. Avançar na construção de mecanismos de democracia real construindo o efetivo protagonismo popular. Queremos envolver juventude, trabalhadores, intelectuais, lideranças dos movimentos sociais e a sociedade em geral nessa construção de uma alternativa coletiva e democrática para transformar nossa cidade. Esse processo realizará mais de 30 encontros temáticos nas diferentes regiões da cidade. Queremos fazer da construção do programa um instrumento de empoderamento da população para tomar para si os rumos da política, os rumos da cidade.

OSG - Há pretensão de estabelecer coligações com outras legendas? Existe a possibilidade de que a sua pré-candidatura se converta em apoio a uma outra candidatura?

Serafini - Sobre alianças, o PSOL tem uma posição bem firme. Não entramos no vale tudo eleitoral que desqualifica e rebaixa a política. Nesse sentido, queremos centrar nossa aliança na relação orgânica com a população e com os movimentos que se confrontam contra esse projeto desigual e injusto implementado em nossa cidade. Nessa perspectiva, estamos em conversas avançadas com o PCB, que já se somou ao nosso processo de construção programática, inclusive. Também estamos dialogando com o PSTU. Esse compromisso com as lutas sociais e com a coerência política são definidoras para a construção da nossa política de alianças eleitorais. Não existe nenhuma possibilidade da nossa pré-candidatura se retirar desse processo. Já estamos em processo avançado de articulação com muitos setores que depositam muita esperança de mudança em nosso projeto coletivo. Dentro do cenário atual da cidade, não temos como apoiar nenhuma das outras possibilidades. A nossa construção coletiva se coloca como alternativa forte e qualificada para se contrapor aos representantes da velha política. Sentimos na cidade uma vontade de mudança e um desgaste com o projeto de cidade elitista. Apresentamos a nossa pré-candidatura como síntese coletiva dos sonhos daqueles que insistem em acreditar que a cidade tem que ser de quem mora nela e não de quem lucra com ela.

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