‘Sem propostas faraônicas, sonhos imaginários ou utopias’

No quarto mandato como vereador de São Gonçalo, Jorge Mariola investe na pré-candidatura à cadeira mais alta do Executivo na cidade pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). Não contrapondo à atual gestão, o parlamentar pretende ser uma alternativa para dar continuidade aos projetos populares, como priorizar a autonomia do município e incentivar a vinda de empresas, a fim de gerar emprego e renda.
O SÃO GONÇALO - Como e por que o senhor decidiu investir em uma pré-candidatura?
JORGE MARIOLA - Entendo que política é alternância. Como a gente já adquiriu uma experiência vasta no Legislativo de São Gonçalo, somos uma alternativa na cidade para o poder Executivo. Se a população entender que o município deva ter um novo nome para gerenciar por quatro anos, a gente se coloca à disposição do povo. A gente procura fazer um projeto a quatro mãos, que venha atender as necessidades de São Gonçalo, sem propostas faraônicas, sonhos imaginários ou utopias. Não quer dizer também que sou uma opção contrária à gestão atual. O governo municipal vem passando por várias dificuldades, como todos os 92 municípios do nosso Estado. Sei o quanto é difícil gerenciar uma cidade, que tem a 16ª maior população do Brasil, com cerca de um milhão e meio de habitantes, maior do que quatro estados brasileiros, mas tem a per capita menor do Estado, matematicamente. Se a população entender que não deva dar mais quatro anos ao atual governo, eu me coloco como uma opção de governo, não como uma oposição radical.
OSG - Qual projeto de governo tem em mente? O que seria prioridade caso o senhor vencesse as eleições?
MARIOLA - A primeira coisa é discutir a autonomia do município. Temos uma empresa que, por onde você passa por São Gonçalo, você vê uma cidade feia com essa parafernália de cabos. Os fios passam no meio da rua, trazendo riscos de acidentes, de pessoas morrerem eletrocutadas. O município é cerceado de um trabalho melhor por essas empresas públicas, que são permissionárias da legislação federal, mas que agridem a lei 040 e 044, do Código de Posturas municipal, que fala do solo. Vou ser um prefeito radicalmente contra essa invasão da autonomia da cidade, dessa degradação moral e institucional que essas empresas fazem em São Gonçalo. Outra prioridade seria reduzir as alíquotas do INSS, diminuir os tributos do município. Vamos incentivar as empresas a virem para São Gonçalo, para gerar emprego e renda. Uma cidade não tem que penalizar os seus munícipes com impostos e mais impostos. Ela tem que dar condição de que o município esteja estruturado para gerar oportunidades, para que a população permaneça na cidade, sem ter que ir para municípios vizinhos.
OSG - Há pretensão de estabelecer coligações com outras legendas? Existe a possibilidade de que a sua pré-candidatura se converta em apoio a uma outra candidatura?
MARIOLA - Na verdade, tenho a intenção de fazer uma aliança, principalmente, com os partidos que tenham um pensamento como o meu. Legendas de origem popular, que defendam o trabalhismo, uma educação de qualidade de tempo integral, que é uma proposta oriunda do Leonel Brizola. Naturalmente, quero a ajuda de todos, uma aliança com todos os partidos. Mas, preferivelmente, àqueles que pensem políticas públicas, que pretendem melhorar a autoestima da população, que pensem em melhorar a condição dos empresários. A gente acredita que quando você tem uma ferramenta como São Gonçalo, que tem funcionários públicos dedicados e capacitados, você tem que procurar fazer um investimento ainda melhor, porque isso vai refletir positivamente na qualidade do serviço.