Vereadora Benny Briolly recebe mais uma ameaça de morte
Parlamentar já teve que deixar o país por conta de ameaças

A vereadora niteroiense Benny Briolly informou que recebeu mais uma ameaça de morte em nota divulgada em suas redes sociais na noite desta segunda-feira (24). O e-mail anônimo foi enviado no último domingo (23), por um elemento identificado como “O Machista Opressor 1488”.
“Estou acumulando ameaças de morte junto com a omissão do Estado. Eles querem me calar, mas NÃO SEREI INTERROMPIDA!", protestou a parlamentar eleita com mais votos no município de Niterói.
O nome “Machista Opressor 1488” faz alusão a slogans nazistas, sendo o 14 utilizado para representar a frase "devemos assegurar a existência de nosso povo e um futuro para as crianças brancas", passagem de 14 palavras retirada do livro “Minha Luta”, de Adolph Hitler, líder do Partido Nazista Alemão e Führer da Alemanha Nazista entre 1934 até 1945, e o 88 para referir-se a sigla “HH”, ou Heil Hitler, composta por duas letras “H”, oitava do alfabeto, seguidas.
O ato criminoso foi promovido no mês da Visibilidade Trans, campanha que representa um marco na luta pelo direito das pessoas trans, contra a transfobia e pela sensibilização das pessoas cisgênero com a causa no Brasil. Vários grupos ligados aos movimentos negro, LGBTQIA+, e defensores dos direitos humanos também prestaram seu apoio à vereadora. O Instituto Marielle Franco repudiou o ocorrido e pediu urgência do Estado para se dirigir à questão e garantir, assim, a dignidade e integridade de Benny.
"A primeira travesti eleita no estado do RJ e uma das poucas parlamentares negras e trans no Brasil. Toda nossa solidariedade e luta!", disse em nota a organização.
Benny vem recebendo ameaças de morte desde que assumiu seu mandato, em janeiro de 2019, e em maio do ano passado precisou deixar o país. Pouco mais de uma semana depois de sua mudança, o Ministério Público Eleitoral requereu que a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro adotassem medidas urgentes para a proteção da parlamentar. A vereadora chegou a registrar uma ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), no Centro do Rio, em dezembro do ano passado, mas as investigações não foram para frente.
*Estagiário sob supervisão de Thiago Soares