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Ministério comprou picanha com recursos contra a Covid, diz TCU

Mais de R$ 500 mil foram usados para comprar itens de luxo

relogio min de leitura | Redação 27 de dezembro de 2021 - 15:51
Defesa diz que o relatório do TCU não é conclusivo
Defesa diz que o relatório do TCU não é conclusivo -

O Tribunal de Contas da União (TCU) revelou através de auditoria que o Ministério da Defesa do governo federal gastou recursos financeiros destinados para o enfrentamento da Covid-19 com a compra de picanha e filé mignon. De acordo com o levantamento, R$ 535 mil teriam sido gastos em itens considerados de luxo. O relatório, feito sob sigilo pela Selog (Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas) e obtido pela Folha de S. Paulo, aponta supostas irregularidades na compra de alimentos desde 2017.

O relatório mostra que houve aumento dos gastos da Forças Armadas durante a pandemia de Covid-19 em 2020. À Folha, o Ministério da Defesa explicou que os gastos não diminuíram porque as atividades do Exército, da Aeronáutica e da Marinha foram mantidas normalmente. 

Bacalhau, camarão, salmão, cortes nobres de carne bovina e bebidas alcoólicas são alguns dos itens considerados não essenciais que foram comprados pelo Ministério da Defesa. Parte do valor usado para a compra destes itens vieram da ação orçamentária "21C0 – Enfrentamento da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional decorrente do Coronavírus".

"Ressalte-se que, dos recursos destinados ao combate à pandemia Covid-19 utilizados indevidamente para aquisição de itens não essenciais (aproximadamente R$ 557 mil), 96% foram despendidos pelo Ministério da Defesa", diz o documento.

"Não parece razoável alocar os escassos recursos públicos na compra de itens não essenciais, especialmente durante a crise sanitária, econômica e social pela qual o país está passando, decorrente da pandemia", continua o relatório.

Em nota, o Ministério da Defesa afirmou que atuou no enfrentamento da pandemia e disse que o documento obtido pelo TCU é preliminar e não conclusivo.

"Ressalta-se, ainda, que foram empregados cerca de 34 mil militares em todo o território nacional em atividades como desinfecção de locais públicos; distribuição e aplicação de vacinas; campanhas de doação de sangue; entrega de kits de alimentação e de higiene; transporte de pacientes, oxigênio e de itens de saúde (...) Por fim, cabe destacar que os questionamentos solicitados estão baseados em relatório preliminar, que ainda será apreciado por ministros do Tribunal de Contas da União, no qual esta pasta já apresentou os devidos esclarecimentos."

O relatório foi encaminhado pelo ministro do TCU, Walter Alencar, a um processo que tramita na Corte.

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