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Ex-coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol se filia ao Podemos

Deltan deve ser candidato a deputado federal em 2022

relogio min de leitura | Redação 10 de dezembro de 2021 - 16:06
Ato de filiação aconteceu em Curitiba
Ato de filiação aconteceu em Curitiba -

O ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, Deltan Dallagnol, se filiou nesta sexta-feira (10) ao Podemos, mesmo partido do ex-ministro Sério Moro, que é pré-candidato à Presidência. O ato de filiação do ex-procurador do Ministério Público Federal (MPF) aconteceu em um hotel de Curitiba.

Participaram do evento o ex-ministro Sérgio Moro, a presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, e os senadores do Paraná, Álvaro Dias, Flávio Arns e Oriovisto Guimarães. Durante seu discurso, Deltan não falou sobre o cargo que pretende se candidatar em 2022, mas, nos discursos de outras lideranças, eles indicaram que o ex-procurador deve ser candidato a deputado federal. 

Deltan anunciou em novembro que iria deixar o Ministério Público Federal (MPF), após 18 anos na instituição.

“Essa decisão de sair do Ministério Público não foi fácil. Eu tenho muito orgulho do Ministério Público e do trabalho que ele faz pela sociedade brasileira em diferentes áreas. Contudo, os nossos instrumentos de trabalho para alcançar a justiça vêm sendo enfraquecidos, destruídos", afirmou, na ocasião.

Advertências e punições

Em setembro de 2020, o ex-procurador já tinha se afastado da coordenação da operação. Na época, ele afirmou que queria passar mais tempo com a filha. Poucos meses depois, em fevereiro de 2021, a força-tarefa "deixou de existir", de acordo com o MPF, e os procuradores da força-tarefa passaram a integrar o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Também em setembro de 2020, Deltan foi punido pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) depois de fazer postagens contra a candidatura do senador Renan Calheiros (MDB) à Presidência do Congresso, em 2019.

O conselho entendeu que Deltan cometeu infração disciplinar por suposta tentativa de interferência na disputa. Antes dessa punição, o ex-procurador já havia sido advertido, em novembro de 2019, por ter criticado ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em uma entrevista de rádio, mas a punição foi suspensa pelo ministro Luiz Fux em agosto de 2020.

Defesa da Lava Jato

Durante seu discurso de filiação, Deltan defendeu decisões e as ações da operação Lava Jato. De acordo com ele, "todas essas operações seguiram a regra do jogo". "É como mudarem as regras após o final do jogo e aplicando para trás, para o passado", afirmou.

Deltan também criticou decisões da Justiça e a alteração de leis que prejudicam o trabalho de procuradores.

"Nós vimos aprovação de regras que amarram o trabalho de procuradores e de juízes na investigação e no processamento de pessoas poderosas. Nós vimos passar regras que esvaziam as colaborações premiadas. Nós vimos passarem regras que amarravam e impediam as prisões preventivas da Lava Jato", afirmou.

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