Cidadania expulsa deputado paulista após caso de importunação sexual

Fernando Cury colocou as mãos nos seios da também deputada Isa Penna

Escrito por Redação 23/11/2021 15:50, atualizado em 23/11/2021 16:50
Deputado criticou decisão do partido
Deputado criticou decisão do partido . Foto: Reprodução

O partido Cidadania informou na noite de segunda-feira (22) que decidiu pela expulsão do deputado estadual Fernando Cury do quadro de filiados do partido. A decisão foi tomada após o Conselho de Ética da sigla recomendar a decisão devido ao caso de importunação sexual cometido por ele contra a também deputada estadual Isa Penna (PSOL). A situação aconteceu há quase um ano. 

“O Diretório do Cidadania de São Paulo decidiu nesta segunda-feira (22), por 27 votos a 3, expulsar do partido o deputado estadual Fernando Cury, flagrado pelas câmeras da Assembleia Legislativa apalpando em plenário a colega Isa Penna, do PSOL”, afirmou o partido por meio de uma nota. Cury ainda pode recorrer da decisão. 

“Hoje o partido Cidadania não respondeu a mim, não respondeu ao Fernando Cury. Hoje o Cidadania respondeu a todas mulheres que se sentiram assediadas junto comigo quase um ano atrás”, afirmou a deputada Isa Penna após a decisão.

De acordo com o Cidadania, o Conselho de Ética Nacional do partido já havia se manifestado pela expulsão, mas o parlamentar conseguiu atrasar o procedimento recorrendo ao judiciário. O presidente da sigla, Roberto Freire, elogiou a decisão e lamentou a demora na solução do caso. 

“Demorou. Já deveríamos ter resolvido isso. Lamentavelmente, ele foi ao judiciário discutir uma questão que é político-partidária e obteve liminar adiando um processo que deveria ser mais ágil. Eu diria até que deveria ser sumário pela gravidade da falta. O diretório de São Paulo fez justiça”, disse.

Por meio de nota, Cury disse que a decisão atropela o devido processo legal e cria um fato político. 

“Em relação à reunião marcada pelo Cidadania hoje para oficializar meu processo de desligamento do partido, venho por esta nota afirmar que, no meu entendimento, esse processo está, mais uma vez, atropelando o devido processo legal para criar um fato político.Não há o intuito de se fazer justiça pois, caso fosse essa a intenção, aguardariam o término dos prazos dos recursos na ação judicial para dar andamento a este processo”, disse.

Apesar da decisão ter sido tomada com vantagem ampla, houve um atraso de quase dez meses para alcançar uma solução. Assinado por Alisson Luiz Micoski, titular do Conselho de Ética do Cidadania, o parecer pela expulsão foi divulgado no dia 10 de janeiro. Cury segue como deputado até o fim de seu mandato ou de outra decisão diferente da Alesp. A expulsão do partido não implica em nenhum tipo de cassação.

Entenda o caso

No dia 21 de dezembro de 2020, as câmeras do circuito interno da Assembleia Legislativa de São Paulo flagraram o momento em que o parlamentar colocou as mãos nos seios da colega, que estava de costas e não conseguiu impedi-lo. Na época, após pressão de diversos setores da sociedade, a Alesp deu uma punição à Cury, que ficou suspenso das atividades parlamentares por 180 dias.

Cury ainda responde pela acusação de importunação sexual apresentada pelo Ministério Público de São Paulo. Ele já é réu no processo, que aguarda as considerações da defesa.

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