Brasil tem mais de 3 mil vias públicas nomeadas em homenagem a torturadores da ditadura militar
O levantamento foi realizado pelo (M)Dados

O Brasil tem 3.775 vias públicas homenageando indivíduos citados no relatório final da Comissão Nacional da Verdade, de 2014, como responsáveis diretos ou indiretos pelas prática de torturas e/ou assassinatos entre os anos de 1964 e 1985. As informações são do Metrópoles.
Entre as figuras homenageadas estão a do general e ditador que governou o Brasil com mãos de ferro entre 1969 e 1974, Emilio Garrastazú Médici. O militar é conhecido como o fundador do Destacamentos de Operações de Informações-Centros de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), órgão que coordenava as ações de repressão aos opositores do governo e tinha como especialidade a tortura e o assassinato.
O nome mais recorrente na lista, é o de Castello Branco, que aparece em 351 vias. O militar foi o primeiro a assumir o controle do país após a deposição do presidente João Goulart, eleito democraticamente em 1961, pelo golpe militar de 1964.
Paradoxalmente, o presidente da república Jair Bolsonaro, que por vezes exaltou o torturador e diretor do DOI-Codi, coronel Brilhante Ustra como um ‘herói nacional’, vetou o projeto de lei que previa a nomeação da BR-153 como Rodovia Presidente João Goulart, nesta quinta-feira (14). Em sua justificativa, o chefe do executivo alegou que a homenagem contraria o interesse público e é “inspirada por práticas dissonantes da democracia”.
O neto do ex-presidente Jango, Cristopher Goulart, declarou sua insatisfação com o veto no Twitter. Para ele, a medida representa “a contradição tosca e patética dos tempos em que vivemos”.
“Tempos estes em que um apoiador de torturadores e de regime militar veta um presidente marcado na história justamente por defender a democracia plena e as reformas de base. De outra sorte, não surpreende, pois, Bolsonaro representa a antítese do projeto de país de Jango”, escreveu Cristopher Goulart.