Bolsonaro na ONU: mentiras e contradições marcam discurso do presidente
Pronunciamento foi feito durante a abertura da 76ª Assembleia Geral da ONU

Em seu discurso de abertura da 76ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque, nesta terça-feira (21), o presidente da república Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que não há corrupção no seu governo e usou dados falsos para exaltar a política ambiental e o desempenho econômico do país durante seu mandato.
Há 74 anos o presidente brasileiro é o responsável pela abertura do debate geral. A tradição data dos primórdios das Nações Unidas, quando o diplomata brasileiro Oswaldo Aranha, então chefe da delegação brasileira, presidiu a Assembléia Geral, em 1947.
Em seu discurso, o mandatário ainda se posicionou contra a exigência do comprovante de vacinação e voltou a defender o tratamento precoce contra a COVID-19, cuja ineficácia foi comprovada cientificamente. Já são mais de 591 mil mortes causadas pela doença no Brasil.
"Desde o início da pandemia, apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce, seguindo recomendação do nosso Conselho Federal de Medicina. Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial. Respeitamos a relação médico-paciente na decisão da medicação a ser utilizada e no seu uso 'off-label' [fora do que prevê a bula]. Não entendemos por que muitos países, juntamente com grande parte da mídia, se colocaram contra o tratamento inicial. A história e a ciência saberão responsabilizar a todos", disse ele.
O chefe do executivo brasileiro afirmou ainda que não há corrupção em seu governo, dado que vai contra a opinião da maioria dos brasileiros. De acordo com pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha em julho deste ano, para 70% da população do país, há corrupção no governo Bolsonaro. Além disso, indícios de corrupção foram encontrados pela CPI da COVID no caso da compra das vacinas da Covaxin e todos os quatro filhos de Bolsonaro estão sendo investigados pelo Ministério Público Federal por suspeitas que incluem o desvio de dinheiro público e a contratação de funcionários fantasmas, entre outras.
"O Brasil mudou, e muito, depois que assumimos o governo em janeiro de 2019. Estamos há 2 anos e 8 meses sem qualquer caso concreto de corrupção", alegou ele.
Durante seu pronunciamento, o presidente brasileiro defendeu também a política de preservação ambiental do país, aspecto pelo qual é criticado tanto nacional quanto internacionalmente, afirmando que 84% da floresta está “intacta” e houve uma queda de 32% no desmatamento na região em agosto de 2021, em comparação com o mesmo período de 2020. Ambos as alegações são verdadeiras, mas não apagam o fato de que nos primeiros 5 meses deste ano o desmatamento da região foi 25% maior do que no mesmo período do ano passado e os dados para o desmatamento na região durante os dois últimos anos foram os maiores desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a monitorar o bioma em 2015.
Bolsonaro ainda exaltou a economia brasileira. Atualmente são 14,8 milhões de desempregados no país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e sua inflação é a terceira maior dentre os 20 membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), atrás somente de Argentina e Turquia.