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MPRJ denuncia policial militar acusado de torturar Garotinho na Cadeia de Benfica

O policial bateu no joelho do político com um bastão e depois pisou em seu pé

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 20 de agosto de 2021 - 17:50
O ex-governador foi preso em 24 de novembro de 2017 e solto 29 dias depois
O ex-governador foi preso em 24 de novembro de 2017 e solto 29 dias depois -

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou, na última quinta-feira (19) o policial militar Sauler Campos de Faria Sakalem pela prática de tortura. Ele é acusado submeter o ex-governador Anthony Garotinho a um "intenso sofrimento físico e mental", enquanto ele estava preso na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica.

Segundo a denúncia, Sauler invadiu a cela ocupada por Garotinho por volta de 1h50 do dia 24 de novembro de 2017 e o agrediu com golpes de um bastão parecido com um taco de beisebol, além de ameaçar o político de morte. O policial disse que Garotinho "gostava de falar muito" e logo em seguida o golpeou no joelho com o bastão, e o político curvou-se de dor no chão. 

Antes de pisar no pé do ex-governador e causar-lhe outra lesão, o denunciado, segundo a denúncia, sacou a arma da cintura e disse as seguintes palavras: “Só não vou te matar para não sujar para o pessoal aqui do lado”, referindo-se aos outros detentos presos na unidade. 

Segundo o Ministério Público, as lesões que o policial provocou em Garotinho foram comprovadas "por meio de um vasto acervo documental, disponibilizado no inquérito policial instaurado para apurar a agressão, em especial pelo exame de corpo de delito realizado no ex-governador e pelas fotografias anexadas aos autos".

Denunciado por infringir o artigo 1º, inciso II, da Lei 9.455/97, submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo, Sauler pode ser condenado de dois a oito anos de prisão. 

Relembrando

Garotinho foi preso em 2017 por conta dos recebimentos ilícitos via caixa 2 para sua campanha ao governo do Rio de Janeiro em 2014. O político foi preso após delação premiada de executivos da JBS, que afirmaram ter doado R$ 3 milhões ao ex-governador. 

No dia 24 de novembro - 29 dias após ser preso - o político foi solto e denunciou que sofreu as agressões durante a madrugada do mesmo dia. A defesa do político chegou a mostrar fotos de lesões nos pés e joelhos do ex-governador. 

Na época, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) argumentou que Garotinho teria se auto lesionado e disse que ninguém passou pela ala onde ele estava preso. Porém, o Ministério Público fez uma perícia no sistema de câmeras da cadeia de Benfica e concluiu que havia indícios de interferência humana na gravação das imagens do dia em que Garotinho relatou ter sido agredido.

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