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Bolsonaro entra na lista de "predadores da liberdade de imprensa"

Presidente aparece ao lado de Nicolás Maduro, Kim Jong-un e Xi Jinping

relogio min de leitura | Redação 07 de julho de 2021 - 17:29
Exercício do jornalismo no Brasil é considerado "difícil"
Exercício do jornalismo no Brasil é considerado "difícil" -

O presidente do Brasil foi incluído pela primeira vez na lista de "predadores da liberdade de imprensa" elaborada pela ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF). A edição de 2021, publicada na segunda-feira (5), apresenta os 37 chefes de Estado ou governo que impõe uma repressão massiva à liberdade dos meios de comunicação.

A ONG apresenta um perfil para cada "predador", apontando os motivos pelos quais ele foi incluído na lista. A edição descreve que o presidente Jair Bolsonaro utiliza "insulto, humilhação e ameaças vulgares" como "modo de predação". Ainda segundo o texto, desde que assumiu a presidência, Bolsonaro tornou muito mais difícil o trabalho da imprensa. "Sua marca registrada? Insultar, estigmatizar e humilhar jornalistas muito críticos", diz.

A ONG também aponta a forma utilizada pelo governo para desacreditar a mídia. "Nas redes sociais, exércitos de apoiadores e robôs retransmitem e amplificam os ataques que visam desacreditar a imprensa, apresentada como inimiga do Estado", destaca.

De acordo com a RSF, maior parte dos ataques de Bolsonaro registrados são contra mulheres e a Rede Globo. Ao todo, mais de 180 ataques contra a emissora foram identificados em 2020. A ONG também cita o ataque à jornalista Patricia Campos Mello, da Folha de S. Paulo. Em março, o presidente foi condenado a indenizar a profissional por ter usado um comentário de cunho sexual para se referir a ela. "Ataques sexistas e misóginos contra jornalistas mulheres também são um forte marcador do bolsonarismo", diz o texto.

A última atualização da lista de "predadores" foi publicada em 2016. Neste ano, 17 governantes aparecem na lista pela primeira vez e cita, pela primeira vez, duas mulheres e um europeu. Entre os novos integrantes da lista também está o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, suspeito de ordenar o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi em 2018.  Já o presidente sírio, Bashar Al-Assad, e o líder da revolução iraniana, Ali Khamenei, figuram na lista desde que ela foi criada, há 20 anos.

Além do presidente Jair Bolsonaro, outros líderes que figuram na lista são o presidente da Venezuela Nicolás Maduro, o presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel, presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente da China, Xi Jinping.

Dos 37 países com representantes da lista, 16 estão na pior posição sobre liberdade de imprensa e 19 figuram na lista vermelha, onde o exercício do jornalismo é considerado "difícil", como é o caso do Brasil.

"Cada um desses predadores tem um jeito especial. Alguns fazem com que reine o terror, com ordens irracionais e paranóicas; outros estão implementando estratégias muito estruturadas com base em leis liberticidas. O desafio é fazer com que hoje esses predadores paguem o preço mais alto possível por essa repressão. Não deixemos que sua maneira de agir se torne 'o novo normal'", diz a publicação. 

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