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Ex-cunhada aponta participação direta de Bolsonaro em esquema de rachadinha

Áudios foram divulgados nesta segunda-feira (5)

relogio min de leitura | Redação 05 de julho de 2021 - 14:02
Ex-cunhada envolve presidente em caso de rachadinhas
Ex-cunhada envolve presidente em caso de rachadinhas -

Áudios divulgados nesta segunda-feira (5) pelo site UOL e atribuídos a Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente Jair Bolsonaro, apontam participação direta do presidente da República em um esquema de rachadinhas quando ele era deputado federal.

O esquema das rachadinhas consiste na prática ilegal de confisco, por parlamentares, de partes do salário de seus assessores de gabinete. Nos áudios divulgados por UOL, Andrea afirma que seu irmão, André Siqueira Valle, foi demitido do gabinete do então deputado federal porque não repassava o valor definido por Bolsonaro. Ela não especificou o ano que o caso aconteceu.

"O André deu muito problema porque ele nunca devolveu o dinheiro certo que tinha que ser devolvido, entendeu? Tinha que devolver R$ 6 mil, ele devolvia R$ 2 mil, R$ 3 mil. Foi um tempão assim, até que o Jair pegou e falou: 'Chega. Pode tirar ele porque ele nunca me devolve o dinheiro certo'", diz Andrea.

Andrea e André são irmãos de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-esposa de Jair Bolsonaro e mãe do quarto filho do presidente, Renan Bolsonaro.

"Não é pouca coisa que eu sei, não. É muita coisa que eu posso ferrar a vida do Flávio. Posso ferrar a vida do Jair, posso ferrar a vida da [Ana] Cristina. Entendeu? É por isso que eles têm medo aí, e mandam eu ficar quientinha, não sei o que, e tal. Entendeu? É esse negócio aí", diz Andrea em outro áudio.

UOL apontou que os áudios fazem parte das investigações sobre as supostas rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro (Patriota) quando era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio. Ele foi denunciado pelo Ministério Público em 2018, quando veio à tona um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que identificou movimentações suspeitas na conta bancária de Fabrício Queiroz, um dos assessores de Flávio. O documento apontou que Queiroz movimentou R$1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, valores incompatíveis com seu salário de assessor parlamentar.

Em nota, a defesa de Flávio Bolsonaro negou as irregularidades e disse que as gravações divulgadas por UOL são "clandestinas, feitas sem autorização da Justiça e nas quais é impossível identificar os interlocutores não é um expediente compatível com democracias saudáveis".

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela defesa de Flavio Bolsonaro e assinada pelos advogados Luciana Pires, Rodrigo Roca e Juliana Bierrenbach:

"Gravações clandestinas, feitas sem autorização da Justiça e nas quais é impossível identificar os interlocutores não é um expediente compatível com democracias saudáveis. A defesa, portanto, fica impedida de comentar o conteúdo desse suposto áudio apresentado pela reportagem.

Sobre Andrea Siqueira Valle, a defesa afirma que ela trabalhou na Alerj e cumpria sua jornada dentro das regras definidas pela assembleia. Flávio Bolsonaro, nas suas atividades parlamentares, não tinha como função fiscalizar e orientar a forma como a servidora usufruía do seu salário.

No tempo em que foi deputado estadual, nunca recebeu informação ou denúncia de que havia qualquer irregularidade no seu gabinete ou em relação ao pagamento dos colaboradores. Portanto, não passa de insinuação e fantasia a ideia de que o parlamentar participou de qualquer atividade irregular. Esse é apenas mais um ingrediente na narrativa que tentam armar contra a família Bolsonaro. Flávio Bolsonaro confia na Justiça e tem a certeza de que a verdade prevalecerá."

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