Witzel afirma que foi perseguido por mandar investigar caso Marielle

Ex-governador deu declaração durante depoimento no Senado

Escrito por Redação 16/06/2021 18:21, atualizado em 16/06/2021 19:09
Witzel prestou depoimento à CPI do Senado nesta quarta-feira (16)
Witzel prestou depoimento à CPI do Senado nesta quarta-feira (16) . Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O ex-governador do Rio, Wilson Witzel, declarou à CPI da Covid, durante depoimento nesta quarta-feira (16), que passou a ser perseguido e sofreu processo de impeachment por mandar investigar "sem parcialidade" o caso envolvendo o assassinato da vereadora Marielle Franco, morta em março de 2018.

À CPI, Witzel afirmou que "o calvário e a perseguição" contra ele foram "inexoráveis". Ele citou ainda uma live onde o presidente Jair Bolsonaro o acusa de ter manipulado as investigações da Polícia Civil sobre o caso.

"Tudo isso começou porque eu mandei investigar sem parcialidade o caso Marielle. Quando foram presos os dois executores da Marielle, o meu calvário e a perseguição contra mim foi inexorável. Ver um Presidente da República em uma live lá em Dubai, acordar na madrugada, pra me atacar, pra dizer que eu estava manipulando a polícia do meu estado. Ou seja, quantos crimes de responsabilidade esse homem vai ter que cometer até que alguém pare ele", afirmou.

Durante o depoimento, o ex-governador afirmou também que deixou de ser recebido pelo ex-presidente e pelos ministros depois que as investigações do caso se intensificaram. 

"A partir caso Marielle que o governo federal começou a retaliar. Nós tínhamos dificuldade de falar com os ministros e ser atendidos. Encontrei o ministro [Paulo] Guedes [da Economia]. Ele virou a cara e saiu correndo: "não posso falar com você", disse Witzel. 

Eleito com apoio de Jair Bolsonaro em 2018, Witzel se desentendeu com o presidente e sua família pouco tempo após chegar ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual. Durante a campanha, o ex-governador subiu em um palanque ao lado do deputado federal Daniel Silveira (PSL), que está em prisão domiciliar, e quebrou uma placa em homenagem à Marielle. 

Nas redes sociais, o Instituto Marielle Franco relembrou o episódio e afirmou que o caso ainda segue sem respostas. 

"Não podemos esquecer que Witzel foi eleito depois de subir num palanque e quebrar a placa de Marielle. Hoje ele fala que perdeu o apoio de Bolsonaro e por isso foi destituído do seu cargo, por ter iniciado a investigação do caso Marielle. Mas ele como governador era o mínimo a ser feito e mesmo assim, depois de 1190 dias, ainda não sabemos o mandante do crime. Quem mandou matar Marielle e por quê?", escreveu a página oficial do instituto no Twitter.

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