Corregedor do TCU pede à PF que apure documento com dados falsos citados por Bolsonaro

Presidente Bolsonaro apresentou os dados falsos durante fala com apoiadores

Escrito por Redação 09/06/2021 15:35, atualizado em 09/06/2021 16:24
Pedido foi feito pelo Ministro Bruno Dantas
Pedido foi feito pelo Ministro Bruno Dantas . Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O ministro Bruno Dantas, corregedor do Tribunal de Contas da União (TCU), pediu à Polícia Federal (PF) que abra um inquérito para apurar a elaboração de um documento de análises citado pelo presidente Jair Bolsonaro ao divulgar uma falsa notícia que o órgão questionava as mortes por Covid-19 no país.

O ministro Bruno Dantas narrou em seu despacho o processo que levou ao pedido de afastamento do auditor. “Ministros e servidores desta Casa foram surpreendidos, na última segunda-feira (7) pela ‘notícia’, de que o Tribunal de Contas da União (TCU) teria produzido relatório concluindo que cerca de 50% das mortes causadas por Covid-19 no ano de 2020 teriam ocorrido por outros fatores, que não o Coronavírus, o que representaria um superdimensionamento do número de óbitos no Brasil”, escreve. Ele se refere a fala na qual o presidente Jair Bolsonaro apresentou o dado falso a apoiadores.

O Ministro explicou que a repercussão da notícia levou a corte a apurar o fato. “Por meio de checagem de autoria, constatou-se [que o documento apócrifo] tinha sido elaborado pelo Auditor Federal de Controle Externo Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, no dia 6 de junho de 2021”.

Na manhã desta quarta-feira (9), o auditor Alexandre Figueiredo confessou à sua chefia imediata no TCU que foi ele o autor das análises. No documento enviado pelo Ministro Bruno Dantas à Presidência do TCU, há o pedido de instauração de um processo administrativo-disciplinar e também pede o afastamento preventivo do servidor do cargo de auditor. Dantas justifica que é uma medida necessária para não atrapalhar as investigações. 

“Pelas informações até agora obtidas, portanto, o auditor Alexandre Figueiredo pode ter utilizado de sua função de supervisor para tentar inserir no trabalho documento/questão que não guardava relação com o objeto da fiscalização, uma vez que adveio de um estudo paralelo feito pelo próprio servidor, sem o respaldo dos demais membros da equipe, em flagrante quebra dos normativos internos e das rotinas de trabalho do TCU.”

A expectativa é de que a presidente do TCU, Ana Arraes, acate o pedido do ministro Bruno Dantas e autorize, ainda nesta quarta-feira, que a PF instaure o inquérito. Além disso, é esperado que ela também aprove o afastamento do autor Alexandre Figueiredo Costa Silva do cargo de auditor por 60 dias, impedindo-o de entrar no prédio da corte e de ter acesso ao sistema interno.

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