Pfizer enviou 53 e-mails sobre vacina ao governo brasileiro, revela senador
Randolfe ainda acusou o governo brasileiro de ter feito lobby a uma empresa

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid-19 no Senado Federal, afirmou, nesta sexta-feira (4), através de suas redes sociais, que o governo federal ignorou 53 e-mails enviados pela farmacêutica Pfizer sobre a compra de vacinas contra o coronavírus.
"Na investigação que estamos fazendo na CPI da Pandemia descobrimos que, na verdade, foram 53 e-mails da Pfizer que ficaram sem resposta", escreveu o senador. Randolfe ainda afirmou que o último e-mail da fabricante da vacina contra Covid-19 ocorreu em dezembro do ano passado e era 'desesperador'.
"O último, datado de 2 de dezembro de 2020, é um e-mail desesperador da Pfizer pedindo algum tipo de informação porque eles queriam fornecer vacinas ao Brasil", disse Randolfe.
Em depoimento à CPI da Covid, o ex-secretário de Comunicação do governo federal Fábio Wajngarten disse que a empresa enviou carta a autoridades do governo brasileiro em setembro do ano passado, mas o documento permaneceu sem resposta até novembro.
Randolfe destacou que enquanto os e-mails eram ignorados, o Itamaraty fazia pressão à Índia para que uma carga de hidroxocloroquina fosse enviada a uma empresa brasileira. "Essa omissão na aquisição de vacinas da Pfizer acontecia ao mesmo tempo que o nosso Itamaraty pressionava a Índia para liberar cargas de hidroxocloroquina a uma empresa brasileira".
O senador apontou que a atitude do governo pode ser considerada um lobby, crime previsto no Artigo 321 do Código Penal: "A atuação do Ministério das Relações Exteriores se assemelha, claramente, à advocacia administrativa, em outras palavras: LOBBY! É isso mesmo, o Governo Brasileiro fazendo Lobby para uma empresa. Isso é CRIME de acordo com o Artigo 321 do Código Penal!", escreveu Rodrigues.