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Bolsonaro pede ao Exército para não punir Pazuello e crise aumenta

O regimento militar proíbe manifestações políticas de quem está ativo

relogio min de leitura | Redação 30 de maio de 2021 - 12:05
O presidente Jair Bolsonaro, em ato no Rio de Janeiro, junto ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello
O presidente Jair Bolsonaro, em ato no Rio de Janeiro, junto ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello -

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) falou para o comandante do Exército, o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, que não quer punição para o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello por conta da presença sem máscara na manifestação a favor do chefe do Executivo, no Rio de Janeiro, no último domingo (23).

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, o presidente deu sinal de que procura isentar Pazuello de qualquer punição, durante a viagem que fez a São Gabriel da Cachoeira (AM) com Paulo Sérgio, comandante do Exército. A presença por dois dias na  localidade foi para inauguração de uma ponte, de menos de 20 metros.

General da ativa, Eduardo Pazuello está no topo da carreira de intendente, e é responsável pela logística militar, com três estrelas. Com isso, o comandante do Exército é considerado o superior do ex-ministro da Saúde, e o pedido de isenção feito por Bolsonaro agrava mais ainda a crise entre Planalto e Exército, local que o presidente saiu praticamente expulso em 1988.

Na sua agenda no Amazonas, Bolsonaro reiterou que Pazuello não deve ser punido. Além do comandante do Exército, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e o chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos marcaram presença no local. Ambos são generais de quatro estrelas, com patente superior a Pazuello e também não gostaram do pedido do presidente.

Dentro da elite militar, a incoerência de Pazuello ao aparecer sem máscara em diversas ocasiões, mas fazer a defesa de ‘medidas preventivas’ na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, e logo depois ir a manifestação bolsonarista, não foi vista de forma positiva. Ele, inclusive, terá que voltar a CPI para prestar novo depoimento. No último, o ex-ministro foi acusado de mentir nas suas explicações, o que caracteriza crime.

Além da contradição depois da CPI, Pazuello ainda marcou presença em evento de motociclistas a favor do presidente. Ele foi dispensado em março, depois de uma gestão considerada terrível.

O alto escalão do Exército, formado por 15 generais quatro estrelas, com comando de Paulo Sérgio, reforçou que a punição a Pazuello é a decisão mais acertada, tendo em vista que o regimento militar proíbe manifestações políticas de quem está ativo. Como pena, o ex-ministro da Saúde pode ser advertido verbalmente, receber repreensão por escrito ou até ser preso durante 30 dias em um quartel.

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