Ricardo Salles é alvo de mandados de busca e apreensão da PF
Ministro também decretou afastamento do presidente do Ibama

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou a quebra de sigilo e autorizou mandados de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) em três endereços ligados ao Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
Agentes da Polícia Federal cumpriram os mandados de busca e apreensão na casa de Ricardo Salles, em São Paulo, no apartamento funcional em Brasília, e em um gabinete do ministério no Pará. Ao todo, 160 policiais federais cumpriram 35 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo e Pará.
As medidas fazem parte da operação Akuanduba, que investiga a exportação ilegal de madeira para Estados Unidos e Europa, o crime de facilitação de contrabando, delitos de corrupção, prevaricação e advocacia administrativa praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro.
De acordo com a PF, o nome da operação faz referência a uma divindade da mitologia indígena que habita o estado do Pará. Segundo a lenda, se alguém cometesse algum excesso, contrariando as normas, a divindade fazia soar uma pequena flauta, restabelecendo a ordem.
Além disso das buscas e apreensões, o Ministro do STF também decretou a quebra do sigilo bancário e fiscal de Ricardo Salles e servidores do Ibama, assim como o afastamento do presidente do órgão, Eduardo Bim, que assumiu o cargo em 2019. Nove pessoas que ocupam cargos e funções de confiança no Ibama e no Ministério do Meio Ambiente também foram afastadas das atividades.
À imprensa, o Ministro Ricardo Salles afirmou que foi surpreendido pelas investigações e chamou as decisões de Alexandre de Moraes de "exageradas" e "desnecessárias". Salles disse que ainda não teve acesso ao inquérito e negou as acusações, declarando que "o Ministério do Meio-Ambiente, desde o início da gestão, atua sempre com bom senso, respeito às leis e respeito ao devido processo legal".