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Vereadora Benny Briolly, de Niterói, deixa o país por ameaças de morte

Eleita com expressiva preferência do eleitorado, ela denuncia estar sendo vítima de violência. Colegas de seu partido, o Psol, manifestaram apoio

relogio min de leitura | Redação 13 de maio de 2021 - 21:53
Comunicado foi publicado nas redes sociais da vereadora
Comunicado foi publicado nas redes sociais da vereadora -

* Por Luana Brandão

A vereadora niteroiense Benny Briolly publicou em suas redes sociais, na noite desta quinta-feira (13), um comunicado informando que precisou deixar o país por um período devido a constantes ameaças que vem recebendo. Benny é uma mulher trans e negra, a primeira eleita na história política na antiga capital fluminense, e desde que tomou posse de seu cargo, vem denunciando ser alvo de violências e ameaças.

A assessoria da vereadora enviou uma nota oficial a O SÃO GONÇALO com  informações sobre tais comportamentos contra Benny e o posicionamento de lideranças de seu partido, o Psol, sobre a situação. No documento, Daniel Vieira Nunes, presidente da sigla em Niterói, declara que “a política de ódio não vencerá”. Além dele, a deputada federal Taliria Petrone, que também precisou mudar de estado devido a ameaças, se mostrou indignada com tais posturas: “é inadmissível que uma vereadora não consiga exercer seu mandato...”

Leia a nota na íntegra:

“Benny Briolly, a mulher eleita com mais votos populares do município de Niterói, teve que sair do Brasil para proteger sua vida/integridade física. Uma medida extrema que seu partido político encontrou para mantê-la segura.

Daniel Vieira Nunes, presidente do Psol Niterói está indignado com a situação da companheira, por isso, rapidamente o Psol tomou logo medidas para protegê-la. Ele afirma que: " A política de ódio não vencerá e o Estado precisa garantir a integridade da vida e da atuação parlamentar de uma vereadora eleita”, diz o presidente.

Serão aproximadamente 15 dias que Benny permanecerá afastada da Câmara Municipal de Niterói de forma presencial. A vereadora segue acompanhando as sessões plenárias, já que estão sendo virtuais, devido a pandemia.

Já fazem cinco meses que a vereadora vem enfrentando diversas ameaças e ofensas, tanto no campo virtual como físico. Uma das mais sérias foi o e-mail citando seu endereço que exigia sua renúncia do cargo; caso contrário iriam até sua casa matá-la. Além disso, Benny recebeu comentários em suas redes sociais desejando que “a metralhadora do Ronnie Lessa” a atingisse - o anônimo declara ódio a Benny.

*Segundo dados do relatório anual da Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra), em 2020 ocorreram 175 assassinatos de pessoas transexuais, sendo em sua maioria mulheres negras e pobres.

Já foram comunicadas e oficializadas várias instâncias do Estado brasileiro sobre a grave situação. Até o momento, não foram tomadas medidas efetivas que protegessem sua vida e seus direitos políticos.

Não é de hoje que parlamentares negras, travestis, mulheres, LGBTQIA + e defensoras dos direitos humanos sofrem com a violência política dentro dos espaços legislativos e de tomadas de decisões. Em 2020, a deputada Talíria Petrone, que também se encontra em estado de grave ameaça, precisou mudar de estado para que sua vida estivesse assegurada.

Talíria Petrone, deputada Federal pelo PSOL, em solidariedade à vereadora Benny Briolly declara que “é inadmissível que uma vereadora não consiga exercer seu mandato devido à violência política e ameaças"

A deputada Federal entende como essa violência se agrava nos corpos de mulheres, negros, trans e favelados. Corpos esses que sempre foram invisibilizados e silenciados na sociedade e nos espaços de poder. Por isso, ressalta: " Benny é nossa companheira e seu mandato é essencial para a cidade de Niterói. Não podemos aceitar o que está acontecendo. Toda nossa força e solidariedade!” - diz a deputada Federal.”

Procurada pelo O SÃO GONÇALO, a vereadora declarou não poder se comunicar com a imprensa por questões de segurança e pediu que a profissional procurasse a assessoria de imprensa.

* Estagiária sob supervisão de Sérgio Soares 

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