'Não ouse contestar', diz Bolsonaro ao ameaçar editar decreto de isolamento social
Presidente diz que terá apoio do Congresso

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (5) que estuda a possibilidade de editar um decreto para garantir a "liberdade de culto, de poder trabalhar e o direito de ir e vir". O líder do Executivo disse que a medida "não poderá ser contestada por nenhum tribunal". Contrário as medidas de isolamento social adotadas por governadores, o presidente também disse que "Não podemos continuar com essa política de feche tudo, fique em casa".
De acordo com Bolsonaro, as medidas de isolamento desrespeitam o artigo 5º da Constituição. "Quem poderá contestar o artigo 5º da Constituição? O que está em jogo e alguns ainda ousam, por decretos subalternos, nos oprimir? O que nós queremos do artigo 5º de mais importante? Queremos a liberdade de cultos, queremos a liberdade para poder trabalhar, queremos o nosso direito de ir e vir. Ninguém pode contestar isso.", disse o presidente durante um evento no Planalto sobre a rede 5G.
Ainda durante o discurso, o presidente repetiu várias vezes que não poderia ser contestado e que o Congresso estaria ao seu lado.
"Peço a Deus que não tenha que baixar esse decreto. Mas, se baixar, ele será cumprido, com todas as forças que todos os meus ministros têm. E não será contestado esse decreto. não ouse contestar, quem quer que seja. Sei que o Legislativo não contestará.", disse.
O presidente também reclamou da requisição de informações sobre os lugares que visitou. O pedido foi feito pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. Bolsonaro tem ido em algumas comunidades pobres de Brasília e provocando aglomerações nos fins de semana.
"Recebo agora documentos da CPI para dizer onde eu estava nos meus últimos fins de semana. Não interessa onde eu estava. Respeito a CPI. Estive no meio do povo, tenho que dar exemplo. É fácil para mim ficar no Palácio do Alvorada, tem tudo lá. Não posso, sem ouvir o povo, tomar conhecimento do que eles sentem e do que eles querem. Vou continuar andando em comunidades em Brasília. Alguns acham que vou passear. Não, vou continuar a fazer tudo que aqueles que me criticam deveriam fazer", falou.