Gallo irá voltar à Câmara de Niterói para articular punição contra Douglas Gomes

Gomes pode sofrer processo de cassação do mandato

Escrito por *Claudionei Abreu 09/04/2021 16:16, atualizado em 07/04/2021 19:57
Douglas Gomes (PTC) foi denunciado no Conselho de Ética por Gallo (Cidadania)
Douglas Gomes (PTC) foi denunciado no Conselho de Ética por Gallo (Cidadania) . Foto: Reprodução/Redes Sociais

Atualmente ocupando o cargo de secretário municipal de esporte e lazer da prefeitura de Niterói, o vereador licenciado Luiz Carlos Gallo (Cidadania) afirmou que pretende voltar à Câmara Municipal para articular uma punição ao vereador bolsonarista Douglas Gomes (PTC) no Conselho de Ética da casa. 

Na última terça-feira (6), os líderes partidários da Câmara de Niterói se reuniram para deliberar sobre a permanência do vereador Douglas Gomes como vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, que é presidida atualmente pela vereadora Benny Briolly (PSOL). A decisão foi a de que Gomes deveria deixar o cargo por ter um perfil e comportamento incompatíveis com as qualidades exigidas para compor o colegiado. No entanto, por Douglas ser o único representante do seu partido (PTC) e líder da bancada, a pauta precisa ser levada para votação em sessão plenária. 

Douglas vem sendo criticado pelos demais parlamentares por seu comportamento e também responde a denúncias no Conselho de Ética por portar arma de fogo nas dependências da Câmara, por se recusar a fazer uso de máscara de proteção e por transfobia contra a vereadora transexual Benny Briolly (PSOL). No entanto, a gota d'água para o vereador Gallo, que faz parte da Comissão de Ética da Câmara, mas está licenciado ocupando o cargo de secretário na prefeitura, teria sido uma vistoria realizada por Gomes no Hospital Municipal Carlos Tortelly, no bairro Fátima, na última segunda-feira (5), onde o parlamentar chegou a discutir com a equipe médica, causando transtornos na unidade de saúde.

Para Gallo, a atitude de Douglas Gomes foi desrespeitosa com os médicos, causando incômodo à classe que está atuando na linha de frente contra a Covid-19, além de afetar também os pacientes que estão em tratamento na unidade.

"O vereador Douglas Gomes entrou na unidade causando balbúrdia e faltando com respeito aos profissionais da saúde em plantão, alegando que não tinha médico na unidade. Deixo aqui minha indignação e repúdio ao ver a cena triste e descabida de um cidadão sujando uma classe que luta pela fiscalização e pela legislação limpa", escreveu Gallo nas redes sociais.

O vereador, que foi o primeiro a denunciar Douglas Gomes ao Conselho de Ética, ainda em janeiro, também lembrou outras ações pelas quais ele está respondendo e criticou sua permanência na vice-presidência da comissão de Direitos Humanos.

"Não vamos admitir atos de um cidadão negacionista, racista, homofóbico, baderneiro, em nossa sociedade, em nossa Câmara, em nosso convívio e principalmente à frente de uma comissão de Direitos Humanos", afirmou. 

De acordo com Gallo, ele irá esperar a Comissão de Ética tomar alguma atitude contra Douglas na próxima semana. Caso os processos continuem parados, ele pretende deixar o cargo de secretário municipal e reassumir o cargo à Câmara, não só para tentar acelerar o andamento das denúncias contra na Comissão de Ética, mas também para pedir a cassação do mandato de Gomes.

Sobre a fiscalização realizada no Hospital, o vereador Douglas Gomes afirmou que foi à unidade após receber uma denúncia sobre ausência de médicos no local. 

“Estava fazendo meu papel como vereador de Niterói e fiscalizando o hospital, pois recebi algumas denúncias. Estou oficiando o Cremerj e a Secretaria de saúde, informando a ausência de dois médicos durante o plantão que ambos assinaram presença", disse.

Sobre o acionamento da PM, Douglas disse que recebeu apoio dos militares que foram ao local e que os mesmos teriam confirmado a sua denúncia.

"Após a chegada da PM, tive apoio dos agentes que confirmaram a minha denúncia. De fato, os médicos estavam ausentes de seus postos, tendo inclusive recebido agradecimentos de alguns funcionários do hospital, que com a ausência desses médicos, ficam sobrecarregados”, afirmou Douglas.

Douglas Gomes também fez acusações contra o vereador Gallo e afirmou que não cometeu agressão contra nenhum vereador da Câmara Municipal.

“É um vereador que está há 32 anos no cargo e nada fez pela cidade. Me acusa de agredir um vereador sem provas, diferente do que pesa sobre ele. Ele agrediu um porteiro, no dia 15 de maio de 2010, onde foi amplamente divulgado pela mídia. O mesmo foi sentenciado a pagar indenização ao porteiro. Quanto à falsa acusação contra mim de agressão, o vídeo da sessão do dia 25/03 está disponível no Facebook da Câmara, que comprova que não houve agressão alguma”, disse.

Em nota, Gallo respondeu que as atitudes de Douglas "colocam em crédito a credibilidade do parlamento municipal" e, portanto, precisam de punição. Ele afirma que não pode ser "omisso e condescendentes com ilegalidades".

"Minha decisão de voltar à câmara não tem qualquer relação partidária, ideológica ou pessoal. Como vereador mais antigo da casa, é meu dever prezar pelo regimento interno e o decoro que vem, constantemente, sendo quebrado pelo vereador em seu primeiro mandato, em minha concepção. Converso diariamente com a presidência da Câmara Municipal de Niterói e demais vereadores que vêm apresentando insatisfações com essas questões tão sensíveis à credibilidade do parlamento municipal. Quando os eleitores confiam a você seus votos e o conduzem ao 8º mandato é porque conhecem o seu trabalho, acreditam na sua conduta ética, acompanham suas leis aprovadas e principalmente sabem que você não será omisso e condescendente com ilegalidades", respondeu.

Procurada, a Polícia Militar ainda não se manifestou sobre a ocorrência no Hospital Municipal Carlos Tortelly. O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) ainda não respondeu se tomará alguma medida contra a ação do vereador Douglas Gomes.

*Estagiário sob supervisão de Thiago Soares

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