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Comandantes das três Forças Armadas pedem para deixar os cargos

Última vez que a mesma situação aconteceu foi em 1985

relogio min de leitura | Redação 30 de março de 2021 - 14:26
Decisão é vista como uma resposta à saída do ex-Ministro da Defesa
Decisão é vista como uma resposta à saída do ex-Ministro da Defesa -

O Ministério da Defesa divulgou uma nota nesta terça-feira (30) onde anuncia que os três comandantes das Forças Armadas do país pediram para deixar os cargos. Edson Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Moretti Bermudez (Aeronáutica) deixam seus postos um dia após Fernando Azevedo e Silva ter saído do Ministério.

Antes de anunciarem a decisão, os comandantes se reuniram com o General Braga Netto, então escolhido para o Ministério da Defesa, em Brasília, após uma reforma ministerial feita pelo presidente Jair Bolsonaro. Antes, Braga Netto ocupava o Ministério da Casa Civil. De acordo com o colunista do G1 e da GloboNews, Gerson Camarotti, os três colocaram os seus cargos à disposição do governo durante o encontro.

Será a primeira vez, desde 1985, no fim da ditadura militar, que os comandantes das três Forças Armadas deixam os cargos ao mesmo tempo sem ser em período de troca de governo.

A saída do ex-Ministro Fernando Azevedo e Silva, anunciada com surpresa nesta segunda (29), foi vista com preocupação por membros da ativa e da reserva das Forças Armadas, que enxergaram a decisão como algo além de uma troca para negociação com o Centrão por espaços no primeiro escalão do governo.

O movimento é visto sobretudo como um sinal de que o presidente Jair Bolsonaro está buscando aumentar sua influência política nos quartéis. Ele vinha enfrentando forte resistência do próprio comandante do Exército, Edson Pujol, que afirmou, no ano passado, que os militares não querem "fazer parte da política, muito menos deixar a política entrar nos quartéis". O vice-presidente Hamilton Morão, que também é general quatro estrelas da reserva, reforçou a posição de Pujol na época.

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