Presidente da Alerj é investigado por suposta relação com agiota da Baixada

Suposta dívida seria da época em que Ceciliano era prefeito de Paracambi

Escrito por Redação 15/02/2021 14:56, atualizado em 15/02/2021 16:15
Suposta dívida seria da época em que Ceciliano era prefeito de Paracambi
Suposta dívida seria da época em que Ceciliano era prefeito de Paracambi . Foto: Divulgação/Octacílio Barbosa/Alerj

O Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) está investigando a relação do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), André Ceciliano (PT), com um agiota do município de Paracambi, na Baixada Fluminense. A investigação começou no ano passado e, recentemente, teve a competência deslocada para o Judiciário.

O caso mira o empresário do ramo da construção civil Carlos Alberto Dolavale, de 63 anos, que esteve lotado no gabinete do presidente da assembleia, assim como outros membros de sua família. O político tem relação com a família desde quando era prefeito de Paracambi, entre 2001 e 2008. O caso foi inicialmente tratado como suspeita de "rachadinha" no gabinete do parlamentar, mas a hipótese foi descartada ao longo das investiações.

De acordo com o jornal O Globo, Dolavale e a ex-mulher foram citados no relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), em 2018, por movimentações atípicas. Somente nas contas dos familiares de Dolavale ligados ao gabinete de Ceciliano foi identificado o valor de mais de R$45 milhões movimentados entre 2011 e 2017. Após a quebra do sigilo bancário e telefónico do político, a promotoria passou a considerar que o caso se tratava da quitação de uma suposta dívida contraída por Ceciliano com Dolavale. 

A equipe do deputado afirma que o empréstimo citado é referente ao ano de 2002, nove anos antes de Dolavale ser nomeado no gabinete na Alerj. Segundo o jornal "Folha de S. Paulo", em depoimento à Polícia Federal, em 2002, em outra investigação, Dolavale afirmou que Ceciliano devia a ele R$170 mil por compras feitas em sua loja de material de construção, mas logo após a repercussão do caso voltou atrás e afirmou que a dívida foi contraída por um vereador que teria utilizado o nome do então prefeito Ceciliano como garantia. 

O Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) alterou a competência do caso e o enviou à justiça de primeira instância em Paracambi. A alteração mostra uma mudança no foco da investigação, já que Ceciliano tem foro privilegiado e direito de ter processos julgados em segunda instância por ser deputado estadual. Agora, o principal investigado na ação passa a ser Dolavale. Ainda segundo o Globo, registros policiais obtidos pelo MP mostram que as autoridades receberam informações de que ele atuaria como agiota, além de haver relatos de pessoas de que teriam sido ameaçadas pelo empresário por não conseguirem quitar suas dívidas. 

O caso segue em segredo de justiça. 

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