MP investiga Eduardo Cunha em caso de propina na compra de combustíveis na aviação

Estão sendo cumpridos cerca de 20 mandados de busca e apreensão

Escrito por Redação 03/02/2021 09:23, atualizado em 03/02/2021 11:10
O caso ocorreu entre os anos de 2012 e 2014
O caso ocorreu entre os anos de 2012 e 2014 . Foto: Divulgação/J.Batista/Câmara dos Deputados

Agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), foram até a casa do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, na Barra da Tijuca, por volta das 6h da manhã desta quarta-feira (03), para cumprir mandados de busca e apreensão contra o político. A operação chamada de Antonov investiga um suposto esquema de propina que visava diminuir os impostos na compra de combustíveis de aviação em Brasília. As informações são do G1.

Ao todo, cerca de 20 mandados de busca e apreensão foram expedidos contra pessoas que estão em cinco estados diferentes (Rio, São Paulo, Distrito Federal, Espírito Santo e Goiás). Por exemplo, o ex-vice-governador do Distrito Federal Tadeu Filippelli também está sendo investigado.

A operação teve início após a delação do doleiro Lúcio Funaro. Este acusou Cunha de receber, entre 2012 e 2014, cerca de R$ 10 milhões e Filippelli de receber R$ 4 milhões da Latam e da Gol para reduzir os impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS do querosene da aviação, fazendo o combustível ficar mais barato para essas empresas. Além disso, os alvos são acusados também de modificarem uma lei distrital no esquema. Cunha ainda teria feito a mediação entre as companhias aéreas e o governo do Distrito Federal.

Segundo a TV Globo, o dinheiro foi recebido, na verdade, por uma empresa que estava no nome da esposa de Cunha, Claudia Cruz, e ela enviou os valores para o doleiro Lúcio Funaro.

O nome Antonov remete ao maior cargueiro de asa fixa do mundo.

Em nota, a Latam disse que não tem informações sobre a investigação em questão, mas que irá colaborar com o que for necessário para as autoridades. Já a Gol ainda não se posicionou.

Em nota, a defesa de Cunha afirmou ao G1 que "a operação de hoje é um retorno ao famigerado período das pirotecnias acusatórias. Não há dúvida de que se trata de algo fabricado politicamente, com o intuito de retaliar, de forma injusta, alguém que vem cumprindo rigorosamente todas as condições que lhe foram impostas pela Justiça ao conceder a prisão domiciliar. Não se buscou nem mesmo disfarçar tamanha ilegalidade. Os próprios investigadores confessam que os fatos, os quais não guardam qualquer relação com Eduardo Cunha, são antigos, não passam de 2014. A defesa do ex-deputado confia nas instâncias superiores do Poder Judiciário para corrigir tamanha ilegalidade."

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