Como bons amigos: dicas para reconciliar os peludos

Ciúmes pode gerar briga entre os pets

Enviado Direto da Redação

Um é pouco, dois é bom, três é demais? E acima de cinco? Há quem seja tão apaixonado por bichinhos de estimação que não consegue ter apenas um amigo pet, mas vários. Porém, cuidar de mais de um cachorro em casa - às vezes, com gatos também - nem sempre é uma tarefa fácil. São diversos os motivos que podem levar os peludos a brigarem entre si. Os mais comuns são posse (do dono, de comida ou de algum objeto) e estresse, que pode ser causado pela falta de socialização, de espaço, de interação com o dono e de atividade física.

Muitas vezes é possível identificar o problema antes mesmo de a briga ocorrer e evitar o desastre. Mas quando a situação foge do controle, é preciso tomar atitudes positivas para que este tipo de confronto não volte a acontecer. Apaixonada desde sempre por cães, a jornalista Renata Souto, 32, se viu tentada a mudar-se para uma casa maior com o crescimento da família. Tudo começou com a adoção do Antônio, um cãozinho sem raça definida (SRD), quando passeavam pelo Campo de São Bento, em Niterói, há oito anos. Dois anos depois, chegou o Black, um labrador, seguido pelo boxer, Bud, e pelos filhotes de buldogue francês Jack, Tinder e Sophie, a única fêmea.

“De forma geral, hoje eles se dão super bem, mas a adaptação aconteceu aos poucos. De vez em quando acontece uma briga ou outra por causa da comida. Mas o único que fica separado dos outros, principalmente na hora de se alimentar, é o Bud, que é o que costuma aprontar mais”, conta Renata. Uma das estratégias adotadas pela jornalista para evitar problemas “de família” entre os cães foi apresentar sempre o filhote recém-chegado primeiramente ao boxer, Bud. “Primeiro, eu passava algumas horas no quintal só com o Bud e o novo cão ou com o novo filhote, para ele acostumar. Se o recém-chegado estava aprovado pelo Bud, então ficava mais fácil de conciliar com os outros”, brinca. Outra apaixonada por pets desde a infância, Vitoria Guandeline, 21, conta que fica com o coração partido ao ver cães ou gatos abandonados, o que a levou a ser, hoje, “mãe” de cinco felinos e uma cachorrinha.

“A gente sempre fala que vai parar de adotar, mas há umas semanas, abandonaram dois gatinhos aqui perto de casa, e eu não resisti. Não adotei, mas dei ração, água e coloquei em um grupo de doação”, conta, acrescentando que todos os “filhos” se dão muito bem e nunca houve nenhuma briga.

Eva, Tiguinho, Madonna, Zig e Laila Kate comem e bebem juntos com a cachorrinha SRD Anabel, que hoje tem 4 anos. “Eles me acordam umas seis da manhã. Se não levanto, eles miam, fazem uma bagunça, até eu acordar e colocar ração para eles. Fora isso, nenhum problema. Sempre com a chegada de um gatinho novo, a Anabel adota junto. Se deixar, eles mamam nela e tudo, é uma mãezona”, revela Vitória.

Nem todos têm a sorte de conciliar animais de diferentes espécies ou mesmo da mesma espécie, com facilidade em casa. A veterinária Ingrid Stein sugere dicas que podem facilitar essa reconciliação dos peludos.

Descubra o gatilho - 
Sabendo a causa das brigas, fica mais fácil modificar o ambiente e diminuir as chances de novos confrontos. “Isso é muito importante, porque quanto mais os cães brigam, maior será a tensão entre eles. E, conforme vão ficando “melhores” nas brigas, mais difícil será para eliminar esse comportamento”, explica.


Coloque-os para gastar energia
Mantenha uma agenda regrada de exercícios diários com os cães juntos, um do lado do outro. É fundamental que a atividade seja suficiente para drenar a energia deles e que a atenção seja igual para todos.


Ponha limites
Treinos de obediência e imposição de regras e limites são dois pilares fundamentais para o bom comportamento. Desse modo, você consegue ter o controle da situação e eles compreendem claramente como se comportar. Procure a ajuda de um adestrador profissional.


Associação positiva
É importantíssimo que você sempre associe a presença do outro cão a algo positivo. Não incentive disputas – inclusive por ciúmes do dono. Se possível, o ensine um novo comportamento frente àquele agressor.


Aplique a técnica
Separe-os, ambos na coleira, com a guia curta e cada um controlado por uma pessoa – elas devem ficar lado-a-lado a uns três passos de distância, mantendo os cães nas laterais opostas. A ideia é mantê-los perto um do outro sem que fiquem se encarando. Sempre que estiverem calmos, sem rosnar ou se importar com o outro, ofereça petiscos e palavras de incentivo para frisar que a companhia do outro é positiva.

Após alguns minutos fazendo esse exercício, é possível caminhar com eles lado a lado, mantendo a mesma conduta de não deixar eles se olharem fixamente, até que a presença do outro cão não seja mais um incômodo.

O próximo passo é colocar um para cheirar o bumbum do outro. Segure a guia curta para que não briguem e ofereça petiscos para aquele que está sendo cheirado. Quando os animais estiverem à vontade com esses exercícios, tente deixá-los com a guia frouxa. Permita que eles se aproximem um do outro e se movam mais naturalmente. Faça isso apenas se sentir seguro. Quando achar que estão prontos, coloque os cães para fazer atividades juntos: brincadeiras, passeios, natação. É importante que esse treino seja feito com muita segurança e consistência. Às vezes, essa aproximação pode levar semanas e, em alguns casos, é necessário contar com um profissional para guiar o processo.

Atenção à saúde
Mudanças bruscas de comportamento nos cães, como ficar mais irritadiço, podem significar problemas de saúde. Cães com dor, por exemplo, tendem a ficar menos tolerantes à aproximação. Nesses casos, é fundamental a visita a um veterinário.


Castração
A castração pode ser uma boa opção para cães que brigam por disputa de território (machos) ou por cio (fêmeas). “A testosterona é produzida nos testículos e é um hormônio intimamente relacionado com a agressividade. Na castração é feita a retirada do testículo e portanto os níveis desse hormônio caem consideravelmente e os animais ficam menos agressivos”, finaliza.

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