Morre aos 84 anos, Mário Martins, fundador do tradicional Caneco Gelado do Mário, em Niterói
Empresário português chegou ainda criança à cidade e transformou o restaurante em uma das referências da gastronomia niteroiense

Morreu neste sábado (3), aos 84 anos, Mário Martins Ribeiro Carvalho, fundador do tradicional Caneco Gelado do Mário, no Centro de Niterói. Conhecido carinhosamente como Seu Mário, ele construiu uma trajetória de mais de cinco décadas à frente do estabelecimento, que se tornou referência da gastronomia portuguesa na cidade.
Nascido em Fafe, no distrito de Braga, em Portugal, Mário veio para o Brasil ainda menino, em 1953, quando os pais se mudaram para o Rio de Janeiro. A família viveu no Morro da Providência e foi na gastronomia que ele começou a construir sua história profissional. Ainda criança, trabalhou como lavador de pratos no restaurante Arouca, em Copacabana, onde precisava ficar sobre uma caixa para alcançar a pia. Mais tarde, tornou-se ajudante e garçom.
A mudança definitiva em sua vida aconteceu em 1969. Em 22 de novembro daquele ano, Mário inaugurou, no Centro de Niterói, a Lanchonete Ponte Rio-Niterói. O pequeno comércio vendia inicialmente pizzas, peixes e petiscos. A casa, porém, ganharia uma identidade própria com uma ideia simples: servir cerveja em canecas de alumínio previamente resfriadas.
Os clientes passaram a pedir o "caneco gelado", e o apelido acabou se tornando o nome do estabelecimento. Nascia, assim, o Caneco Gelado do Mário, que atravessaria décadas e se transformaria em um dos endereços mais conhecidos da cidade.

Bolinho de bacalhau virou símbolo
A gastronomia portuguesa se tornou a principal marca da casa. Entre os pratos mais conhecidos está o tradicional bolinho de bacalhau, cuja preparação tem raízes na família de Mário.
Segundo reportagem publicada pelo O São Gonçalo em 2023, a inspiração veio da avó do empresário, que mantinha um bar em Portugal e preparava o bolinho durante as festas de São Bento. A receita acabou sendo incorporada ao restaurante e virou um dos principais motivos que levam clientes ao estabelecimento.
Com o passar dos anos, o pequeno bar cresceu e ganhou novos ambientes, mas manteve características que ajudaram a construir sua identidade. Além dos bolinhos, o cardápio passou a reunir diferentes pratos e petiscos de frutos do mar, mantendo a influência da culinária portuguesa.
Patrimônio cultural do Estado
A importância do Caneco Gelado do Mário ultrapassou os limites da gastronomia.
Em dezembro de 2019, o então governador Wilson Witzel sancionou a Lei Estadual 8.649/2019, que declarou o restaurante patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Rio de Janeiro.
Na época, os deputados estaduais Bagueira e Waldeck Carneiro, autores do projeto, destacaram a importância do estabelecimento para Niterói e a trajetória de Mário. O empresário também recebeu a Medalha Tiradentes, uma das principais honrarias concedidas pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
Mário era descrito como uma figura querida pelos clientes e funcionários. O empresário fazia questão de circular pelo salão, conversar com frequentadores e acompanhar de perto o atendimento. Funcionários também destacavam a dedicação do fundador ao negócio, que era tratado por ele como parte essencial de sua vida.
Velório
Segundo a nota de falecimento divulgada pela família, o velório será realizado na segunda-feira (5), das 10h às 13h, na capela do Cemitério da Irmandade do Santíssimo Sacramento, no Barreto, em Niterói.
A despedida ocorrerá no próprio cemitério.
Confira a reportagem do O São Gonçalo sobre a história do Caneco Gelado do Mário
Veja a matéria do O São Gonçalo sobre o tombamento como patrimônio cultural