Deputadas debatem violência contra mulheres

Zeidan e Martha Rocha participaram de audiência na Câmara
Foto: Divulgação“A 82ªDP (Maricá) precisa contar com um Núcleo de Atendimento às Mulheres (Nuam) e a cidade necessita de um Juizado Especial para tratar de crimes contra mulheres”, afirmam as deputadas Zeidan e Martha Rocha, que se comprometeram lutar por essas medidas na audiência pública da CPI da violência contra a mulher, que lotou o plenário da Câmara de Vereadores na sexta-feira. Hoje, Maricá é atendida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) que fica em Niterói.
Relatora da CPI, a deputada Zeidan destacou a necessidade de criação de uma rede de apoio para que as vítimas de violência doméstica tenham independência financeira. “Muitas vezes, a mulher não consegue se livrar da sua realidade porque depende financeiramente do companheiro e agressor. Aqui, em Maricá, a prefeitura já ofereceu até o terreno para a construção da Deam, estamos aguardando o governo do Estado iniciar a obra. O ‘Minha Casa, Minha Vida’, que é do governo federal, já atende a maioria de mulheres chefes-de-família, temos políticas direcionadas para elas, entre outras tantas medidas. Mas a sociedade também pode fazer a sua parte, não discrminando a mulher na hora de contratar um profissonal”, ponderou a deputada.
Para a subsecretária de Políticas Públicas para a Mulher de Maricá, Luciana Piredda, a relação com os órgãos do estado e do judiciario ainda é complicada. A cidade enfrenta dificuldades na aplicação da Lei Maria da Penha por meio de alguns órgãos de Segurança e Justiça. A maioria dos casos encaminhados para o Conselho Tutelar e a Defensoria Pública pelo Centro Especializado em Atendimento à Mulher (Ceam) não é resolvida.
Segundo dados da subsecretaria de Maricá, a maioria das vítimas é de baixa renda, tem uma união estável, completou o ensino fundamental, declara-se branca e tem entre 20 e 40 anos. Das mulheres atendidas, 78% sofreram violência física, 67%, psicológica, e também 67%, moral. Sobre essa violência psicológica, a editora de revista Maricá Já, Lurian Silva, destacou que é importante reagir.
“Não podemos aceitar a agressão psicológica. Quando um homem nos agride a gente se torna um rascunho. Aqui em Maricá temos, infelizmente, o maior índice de violência psicologica contra a mulher no Estado”, revelou a jornalista.
Maricá foi a primeira cidade do Estado a receber a audiência pública da CPI. “Queríamos transpor os muros da Alerj. Já fizemos dez audiências com vários temas e nos parecia muito importante ter o olhar dos municípios. Ainda em julho, estaremos na Baixada, na região Sul Fluminense e na Região dos Lagos”, informou a presidente da CPI, deputada Martha Rocha.