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Moradores voltam para casa depois das chuvas em Maricá

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 03 de março de 2016 - 22:05
Na volta para casa, moradores começam a contabilizar os prejuízos em apartamentos de Itaipuaçu
Na volta para casa, moradores começam a contabilizar os prejuízos em apartamentos de Itaipuaçu -
Três dias depois da enchente que deixou mais de 600 desabrigados em Maricá, moradores do Condomínio ‘Minha Casa, Minha Vida’, em Itaipuaçu, começaram a voltar para casa afim de calcular os prejuízos causados pela chuva. Ainda enfrentando água na altura da panturrilha, grande parte dos habitantes precisaram ter força para reaver os pertences perdidos.
“A gente comprou um sonho e levamos um pesadelo. É justo a gente perder tudo na chuva?”, indagou a Dona Mercedes da Silva, de 60 anos.
Não foi diferente para Dona Shirley Teixeira, de 63, que enquanto olhava para as fotografias da família completamente encharcadas, se emocionava. Eram as memórias dos filhos que já não moram mais com ela, sumindo em meio a tanta água.
“Eu perdi tudo. Minha comida, meus móveis, minhas coisas. Nem as fotos dos meus filhos e parentes distantes, eu tenho mais. Não saí de casa durante esses dias, porque eu não posso abandonar meu barco”, comentou.
Alguns dos moradores que tiveram suas casas invadidas pela água procuraram ajuda na Igreja Ministério Unção do Crescimento, que fica cerca de 1km do local e é um dos abrigos disponibilizados pela Prefeitura de Maricá. 
De acordo com o membro da entidade, Cassiano Monteiro, 51, cerca de 150 pessoas foram abrigadas durante esses três dias.
“Nós recebemos doações de todos os lados para a população. Colchões, roupas, comida, água. Pode-se dizer que 99% dos abrigados foram do condomínio, mas tivemos pessoas de outras partes de Itaipuaçu”, contou Cassiano.
A Prefeitura de Maricá informou que 540 pessoas ainda continuam em abrigos (igrejas e pousadas). De acordo com o balanção do município, cerca de 3 mil pessoas foram atingidas pelas chuvas. O Gabinete de Crise, disponibilizado pela cidade, recebeu 176 atendimentos telefônicos.
Polêmica - O prefeito Washington Quaquá determinou, na última quarta-feira, que o canal da Barra fosse aberto, para que o volume de água fosse aliviado nas lagoas. No mesmo dia, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que não havia recebido solicitação formal da prefeitura para a realização de dragagem emergencial em canais do município.
Ontem, a Prefeitura de Maricá emitiu uma nota, que afirma que a cidade tem documentos que comprovam a ação do Inea sempre no sentido de proibir o município de realizar o trabalho preventivo de drenagem dos rios e canais da cidade. “A crise foi muito amplificada pela incompetência e negligência do governo do Estado aqui no município”, avalia o prefeito Quaquá. 
“Em dezembro do ano passado recebemos um documento nos informando, primeiro que o Estado não faria as obras e que não tinha previsão de realizar obras nos corpos hídricos das lagoas de Maricá, e, depois, que era proibido a Prefeitura realizar as obras que os incompetentes não tiveram a capacidade de fazer”, emenda. “Então, por conta desta tragédia o estado tem um papel muito grande no que ocorreu aqui. E eu não recebi uma ligação do governador”, completa.
Já o Inea respondeu que técnicos da Superintendência Regional acompanharam durante a tarde de ontem o trabalho de abertura emergencial do canal da Barra, na Lagoa da Barra, e do Canal da Costa, em Itaipuaçu, realizado pela Prefeitura de Maricá. Informou ainda que o objetivo da abertura emergencial e não definitiva desses canais é contribuir com o escoamento da água para o mar, para ajudar aliviar os problemas causados pelas fortes chuvas de segunda-feira. Ações desta natureza, conforme a orientação técnica do Inea, só têm resultado se realizadas durante o período de maré baixa. Do contrário, a água do mar invade o canal, inviabilizando o escoamento. 
A nota dizia ainda que o Inea recebeu ontem a primeira solicitação formal da Prefeitura de Maricá para realizar dragagem emergencial de canais da cidade e que a autorização será concedida com o mínimo de exigências, em caráter excepcional, devido ao momento de emergência por que passa o município. Como forma de apoio ao município, informou ainda, que o programa Limpa Rio do Inea vai deslocar equipamentos para a dragagem e limpeza no Canal da Cedae. A previsão é iniciar o trabalho na próxima segunda-feira.

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