‘Minha casa, Minha Ilha’: moradores de conjunto habitacional em Maricá continuam ilhados

Condominio alagado em Itaipuaçu -
Mais de 48 horas após a forte chuva da última segunda-feira - que deixou cerca de 650 pessoas desabrigadas em Maricá -, a situação dos moradores do Conjunto Habitacional Carlos Marighela, do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, em Itaipuaçu, continua alarmante, com o nível da água chegando a aproximadamente um metro.
Famílias inteiras passaram o dia transportando seus pertences em barcos, tentando salvar os poucos itens que restaram. Grávida de seis meses, e com um filho de cinco anos, a diarista Daniele Baroco Henrique, de 32 anos, teve que buscar abrigo na casa de familiares. “Agora é erguer a cabeça e recomeçar do zero”, disse a jovem, com a água batendo no meio da perna.
Apesar da dor, os moradores se uniram para tentar ajudar os mais prejudicados “Desde terça-feira que estou dentro dessa água de um lado pro outro tentando salvar o que dá. Levei alguns vizinhos para a casa da minha mãe, e agora estou vendo o que posso fazer para auxiliar mais alguém”, disse emocionada a técnica de enfermagem Ana Lúcia da Cruz dos Santos, de 47 anos, que reside no local há somente seis meses.
Alguns moradores optavam pelo silêncio, quebrado somente pelo choro. Orientados por agentes da Defesa Civil a deixarem o local, alguns desabrigados tiveram seus apartamentos arrombados e roubados.
“Os apartamentos do primeiro andar estão inundados, mas os do alto não foram atingidos. Estamos trancando as portas para ajudar quem está precisando, mas tem gente que não respeita a dor do próximo. Ontem, surpreendi um homem tentando arrombar minha porta”, desabafou um senhor, que preferiu não se identificar.
Ajuda - O clima de solidariedade tomou conta de moradores de Maricá, Niterói e São Gonçalo, que durante todo o dia de ontem, levavam doações para os desabrigados de Itaipuaçu, bairro mais afetado pelo temporal.
Além de populares, agentes da Defesa Civil, da Marinha do Brasil, da Polícia Militar e dos Fusileiros Navais utilizaram barcos, caminhões e jeeps para resgatar os que ainda estavam ilhados.
De acordo com a prefeitura, medidas serão tomadas para que o local não volte a inundar. Além disso, um kit com geladeira, fogão e colchões serão doados para as vítimas.
Canal da Barra é aberto
O prefeito Washington Quaquá determinou, ontem, a abertura do canal da Barra, permitindo o alívio do excesso de volume de água nas lagoas. A operação foi iniciada cedo com retroescavadeiras e um trator de esteiras abrindo a passagem a partir do canal que passa sob a ponte da Barra.
O prefeito decidiu pela abertura quando a régua de medição no espelho d’água, que fica na Divinéia, bateu a marca de 65cm, 5cm acima do limite estabelecido pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Ainda durante a manhã, o nível continuou subindo e, por volta das 13h, chegou a 70cm.
As máquinas trabalharam durante toda a tarde até que o canal fosse totalmente aberto.
De acordo com a prefeitura, outras medidas de drenagens vão ser feitas na cidade. “Vamos desapropriar o terreno próximo ao condomínio (Itaipuaçu) e construir um piscinão para escoar o acúmulo de água que se forma no entorno”, antecipou o prefeito.
Em nota, o Inea informou que não recebeu solicitação formal da prefeitura para a realização de dragagem emergencial em canais do município e acrescentou que: “Tendo em vista a previsão de mais chuvas, a Superintendência Regional do Inea orientou nesta terça-feira os técnicos da prefeitura a encaminharem as solicitações para que a limpeza dos canais possa ocorrer o mais rapidamente possível, com a devida autorização do instituto”.