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Moradores fazem obras em ruas com verbas próprias

relogio min de leitura | Redação 24 de fevereiro de 2016 - 20:20
Moradores das ruas José Leandro e Ministro Joaquim Antunes, em São Joaquim, improvisam para problemas com alagamentos não afetarem tanto as casas
Moradores das ruas José Leandro e Ministro Joaquim Antunes, em São Joaquim, improvisam para problemas com alagamentos não afetarem tanto as casas -

Em tempos de cuidado redobrado com possíveis focos de procriação do mosquito Aedes Aegypti, os moradores de São Joaquim pouco podem fazer para se proteger da dengue, zika e chikungunya. Ainda que eles fiscalizem garrafas vazias, caixas d’água e pneus, as ruas do bairro são um convite ao ‘vilão’.

As poças que tomavam as ruas José Leandro e Ministro Joaquim Antunes, próximas à BR-101, na última segunda-feira, eram, segundo os moradores, apenas o resquício do caos vivido nos dias subsequentes às fortes chuvas que têm castigado a região. Por conta da falta de saneamento básico e asfalto, a água não tem por onde escoar e invade as casas. “No fim de semana, a água chegou a 40 centímetros no muro da minha casa. Hoje (segunda) ainda não choveu e ainda está batendo no meu tornozelo. É difícil encontrar um vizinho que não tenha sido diagnosticado com o zika vírus recentemente”, afirmou a dona de casa Arília Azevedo, moradora da Rua Ministro Joaquim Antunes há mais de 30 anos. O relato é comprovado por Lucilene Braga, que ainda sofre com comichão e as manchas nos braços e pernas. Na casa dela, a água ainda ‘toma conta’ de toda a varanda. “Ontem à noite (domingo), algumas pessoas voltavam da igreja e mal podiam chegar em casa porque a rua parecia um rio. Ficamos preocupados principalmente com as crianças que ficam expostas a doenças em casa, na rua e até mesmo na escola da região”, acrescentou Lucilene, em alusão à escola situada na Rua José Leandro. Como se não bastasse o risco de contrair as três doenças do momento, os moradores questionam o transtorno para ir e vir. De acordo com o estudante Marcos André, de 19 anos, é comum ajudar os vizinhos a desatolar os carros antes que a água carregue os veículos. “Quem mora aqui há muito tempo já tem o ‘mapa dos buracos’ decorado. Eu mesmo só consigo chegar em casa se estiver de moto e numa velocidade bem reduzida. A gente tenta encontrar estratégias para conseguir lidar com o efeito da chuva. Até buraco no muro já fizemos para facilitar a saída da água”, informou Marcos. A solidariedade entre os moradores, cuja maioria se conhece desde a época de fundação do bairro, é o que ameniza a cruel realidade. Cada um contribuiu com R$700 em um mutirão para elevar a entrada das residências, improvisar rampas de garagem e aterrar trechos ao redor dos muros. “Investimos cerca de R$12 mil para fazer essa medida paliativa e assim evitar que a água destruísse nossos pertences, ao menos em um quarteirão. Se houve alguma mudança nesses 25 anos em que moro aqui, não foi com dinheiro de prefeitura, nem de vereador e sim pelo nosso próprio bolso. E o que mais nos entristece é ver que estas duas ruas constam nos registros da Prefeitura como asfaltadas e três vezes recapeadas”, criticou Paulo Frota. A assessoria de imprensa da Prefeitura de Itaboraí informou que as ruas não constam como asfaltadas e há projeto de pavimentação e saneamento para a região. A Prefeitura aguarda a disponibilização de recursos para executá-los. A nota ainda informa que equipes da Secretaria de Obras irão ao local para verificar a possibilidade de realizar paliativos que minimizem a situação e que equipes da saúde percorrem a região regularmente no sentido de eliminar possíveis focos de mosquito, tanto nas ruas quanto nas casas.

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