Moradores fazem obras em ruas com verbas próprias

Em tempos de cuidado redobrado com possíveis focos de procriação do mosquito Aedes Aegypti, os moradores de São Joaquim pouco podem fazer para se proteger da dengue, zika e chikungunya. Ainda que eles fiscalizem garrafas vazias, caixas d’água e pneus, as ruas do bairro são um convite ao ‘vilão’.
As poças que tomavam as ruas José Leandro e Ministro Joaquim Antunes, próximas à BR-101, na última segunda-feira, eram, segundo os moradores, apenas o resquício do caos vivido nos dias subsequentes às fortes chuvas que têm castigado a região. Por conta da falta de saneamento básico e asfalto, a água não tem por onde escoar e invade as casas. “No fim de semana, a água chegou a 40 centímetros no muro da minha casa. Hoje (segunda) ainda não choveu e ainda está batendo no meu tornozelo. É difícil encontrar um vizinho que não tenha sido diagnosticado com o zika vírus recentemente”, afirmou a dona de casa Arília Azevedo, moradora da Rua Ministro Joaquim Antunes há mais de 30 anos. O relato é comprovado por Lucilene Braga, que ainda sofre com comichão e as manchas nos braços e pernas. Na casa dela, a água ainda ‘toma conta’ de toda a varanda. “Ontem à noite (domingo), algumas pessoas voltavam da igreja e mal podiam chegar em casa porque a rua parecia um rio. Ficamos preocupados principalmente com as crianças que ficam expostas a doenças em casa, na rua e até mesmo na escola da região”, acrescentou Lucilene, em alusão à escola situada na Rua José Leandro. Como se não bastasse o risco de contrair as três doenças do momento, os moradores questionam o transtorno para ir e vir. De acordo com o estudante Marcos André, de 19 anos, é comum ajudar os vizinhos a desatolar os carros antes que a água carregue os veículos. “Quem mora aqui há muito tempo já tem o ‘mapa dos buracos’ decorado. Eu mesmo só consigo chegar em casa se estiver de moto e numa velocidade bem reduzida. A gente tenta encontrar estratégias para conseguir lidar com o efeito da chuva. Até buraco no muro já fizemos para facilitar a saída da água”, informou Marcos. A solidariedade entre os moradores, cuja maioria se conhece desde a época de fundação do bairro, é o que ameniza a cruel realidade. Cada um contribuiu com R$700 em um mutirão para elevar a entrada das residências, improvisar rampas de garagem e aterrar trechos ao redor dos muros. “Investimos cerca de R$12 mil para fazer essa medida paliativa e assim evitar que a água destruísse nossos pertences, ao menos em um quarteirão. Se houve alguma mudança nesses 25 anos em que moro aqui, não foi com dinheiro de prefeitura, nem de vereador e sim pelo nosso próprio bolso. E o que mais nos entristece é ver que estas duas ruas constam nos registros da Prefeitura como asfaltadas e três vezes recapeadas”, criticou Paulo Frota. A assessoria de imprensa da Prefeitura de Itaboraí informou que as ruas não constam como asfaltadas e há projeto de pavimentação e saneamento para a região. A Prefeitura aguarda a disponibilização de recursos para executá-los. A nota ainda informa que equipes da Secretaria de Obras irão ao local para verificar a possibilidade de realizar paliativos que minimizem a situação e que equipes da saúde percorrem a região regularmente no sentido de eliminar possíveis focos de mosquito, tanto nas ruas quanto nas casas.