Dilma defende antecessor

Presidente classificou de ‘insinuação’, tentativa de ligação de Lula com a ‘Lava Jato’

Enviado Direto da Redação

A presidente questionou também o vazamento de informações da investigação da Polícia Federal

Foto: Divulgação

A presidente Dilma Rousseff classificou, ontem, de “insinuação” a avaliação de que a nova fase da operação Lava Jato está se aproximando do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista no Equador, onde participou da 4ª Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), a presidente voltou a questionar o vazamento de informações da investigação e disse que não responderia a perguntas que ligassem Lula à operação.

“Eu me recuso a responder pergunta desse tipo. Me recuso porque se levanta acusações, se levanta insinuações e não me diz por que, como, quando, onde e a troco do quê? Se alguém falasse a respeito de qualquer um de nós aqui, ‘a nova fase da Lava Jato levanta suspeita sobre você’, e você não soubesse do que é suspeita, como é a suspeita e de onde vem a suspeita, você não acharia extremamente incorreto, do ponto de vista do respeito?”, questionou Dilma Rousseff.

Ainda de acordo com Dilma, para acusar, é preciso ter provas.

“Ao contrário do mundo medieval, o ônus da prova é de quem acusa. Daí por isso o inquérito, toda a investigação”, disse.

Perguntada se a investigação de corrupção na Petrobras pode prejudicar a economia brasileira, Dilma respondeu que essa é a avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI), não a do governo.
“O FMI acha. Eu acho que vocês devem perguntar ao FMI”, disse.

Na semana passada, a presidente Dilma Rousseff disse ter ficado “estarrecida” com as previsões do órgão sobre a economia do país.

Investigações - A nova fase da operação Lava Jato, deflagrada nesta quarta, investiga lavagem de dinheiro com a compra de empreendimentos imobiliários no Guarujá, litoral paulista.

Três pessoas foram presas, e a Polícia Federal apura se imóveis que pertenciam à cooperativa Bancoop e foram transferidos para a empreiteira OAS foram usados como repasse de propina.

Brasil piora no ranking de percepção da corrupção

O Brasil piorou no ranking internacional de percepção da corrupção divulgado ontem pela ONG Transparência Internacional. O país caiu sete posições em comparação ao ano anterior e ocupa o 76° lugar na lista de 2015. O Brasil foi o país que teve a maior queda, de acordo com a organização. O índice avalia a percepção sobre a corrupção do setor público em 168 países.

Na escala que vai de zero (mais corrupto) a 100 (menos corrupto), o Brasil aparece com 38 pontos. O país onde a população tem a menor percepção de corrupção é a Dinamarca, que aparece no topo da lista pelo segundo ano consecutivo.

Em seguida estão a Finlândia e Suécia. Os países com piores avaliações são a Coreia do Norte e Somália.

“O Brasil foi quem teve a maior queda, perdendo 5 pontos e descendo 7 posições, para o 76º lugar. O escândalo da Petrobras, atualmente em curso, levou as pessoas às ruas em 2015 e o início do processo judicial poderá ajudar o Brasil a frear a corrupção”, registra o comunicado da ONG Transparência Internacional.

Segundo o relatório, os países com melhor desempenho têm características como alto nível de liberdade de imprensa, acesso a informação sobre orçamento público, sistemas judiciários que não diferenciam ricos e pobres, e que são realmente independentes das outras esferas do governo.

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