Policial e segurança do Carrefour espancam homem negro até a morte

Caso aconteceu na véspera do Dia da Consciência Negra

Enviado Direto da Redação
O caso aconteceu no estacionamento de uma das unidades da rede, localizada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul

O caso aconteceu no estacionamento de uma das unidades da rede, localizada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul

Foto: Reprodução/Twitter

Um policial militar fora de serviço e um segurança do supermercado Carrefour espancaram um homem até a morte na noite desta quinta-feira, 19, véspera do dia da consciência negra. O caso aconteceu no estacionamento de uma das unidades da rede, localizada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. 


A cena foi gravada e o vídeo repercutiu nas primeiras horas desta sexta-feira, 20. Nas imagens é possível ver que em nenhum momento houve intervenção de outras pessoas para impedir a agressão. Segundo o portal GaúchaZH, o policial e o segurança foram detidos em flagrante e presos por homicídio qualificado.


A confusão que resultou na agressão começou com um desentendimento entre a vítima, João Alberto Silveira Freitas, e uma caixa do supermercado. Segundo a Brigada Militar, o homem teria ameaçado agredir uma das funcionárias e se recusou a deixar o supermercado. As testemunhas afirmam que ele foi seguido pelos agentes de segurança e foi agredido quando já estava fora do supermercado. Um dos vídeos mostra ainda uma funcionária da loja defendendo a agressão e tentando fazer com que a pessoa parasse de filmar o crime.


Em nota, o Carrefour classificou a situação como "inexplicável" e que tomará as medidas cabíveis. 


"O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário. O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente. Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais."


Nas redes sociais, os vídeos geraram revoltas e indignação dos internautas. Várias pessoas chegaram a comentar sobre um boicote à rede de supermercado, que já tem histórico de agressões dentro de suas unidades. Em 2019, em Osasco, a rede foi condenada pela justiça a pagar R$1 milhão de reais depois que um de seus seguranças ter espancado um cachorro até a morte com uma barra de ferro.


A Brigada Militar informou que a conduta do policial será avaliada com os rigores da lei.


"Imediatamente após ter sido acionada para atendimento de ocorrência em supermercado da Capital, a Brigada Militar foi ao local e prendeu todos os envolvidos, inclusive o PM temporário, cuja conduta fora do horário de trabalho será avaliada com todos os rigores da lei. Cabe destacar ainda que o PM Temporário não estava em serviço policial, uma vez que suas atribuições são restritas, conforme a legislação, à execução de serviços internos, atividades administrativas e videomonitoramento, e, ainda, mediante convênio ou instrumento congênere, guarda externa de estabelecimentos penais e de prédios públicos. A Brigada Militar, como instituição dedicada à proteção e à segurança de toda a sociedade, reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos e garantias fundamentais, e seu total repúdio a quaisquer atos de violência, discriminação e racismo, intoleráveis e incompatíveis com a doutrina, missão e valores que a Instituição pratica e exige de seus profissionais em tempo integral."

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