Projeto Gugu é suspenso por falta de verbas da Prefeitura de Niterói, entenda!

Os idosos e demais ajudados se sentem lesados com a suspensão do Projeto Gugu

Enviado Direto da Redação
O Projeto Gugu ajuda cerca de 2.500 pessoas

O Projeto Gugu ajuda cerca de 2.500 pessoas

Foto: Reprodução/Internet

Por Ana Carolina Moraes*


O Projeto Gugu, criado pelo médico, ortopedista, vereador, diretor do Hospital Universitário Antônio e professor de educação física Carlos Augusto Bittencourt Silva, que tinha o apelido de Gugu, tem o objetivo de ajudar idosos e outras pessoas em diferentes faixas etárias com exercícios de ginástica, dança de salão e coral. No entanto, desde o dia 9 de setembro, o projeto teve que ser suspenso por falta de verbas, principalmente da Prefeitura de Niterói, que depois de financiar o projeto desde 1997 afirmou, em 2018, que não tinha amparo legal para continuar ajudando o mesmo. Os idosos e demais ajudados se sentem lesados com a suspensão do Projeto Gugu e os funcionários do grupo estão endividados por não estarem mais recebendo da Prefeitura.


O Projeto Gugu teve início em 1995, depois que Carlos Augusto Bittencourt Silva foi dar uma palestra sobre longevidade na Universidade Aberta da Terceira Idade (UNIVERTI). Chegando lá, ele não achou justo falar sobre o tema para pessoas que já eram idosas e ouviu muitas reclamações dessa faixa etária que sentia dificuldade para fazer exercícios. Ele, então, marcou com as idosas de fazer um exercício de ginástica na manhã seguinte na praia de Icaraí. No dia 10 de abril de 1995, 32 idosas se reuniram no local e começaram a treinar com o Gugu que, por sua vez, também já era idoso. Após isso, o projeto teve início e sempre de forma gratuita, contando com profissionais capacitados para ministrarem as aulas. 


Segundo conta a viúva de Gugu, Regina Célia Bittencourt Silva, de 67 anos, que hoje é diretora do projeto, em 1997, o prefeito de Niterói da época, Jorge Roberto Silveira, teria convidado o Projeto Gugu, que  tinha outro nome, a ser parte do Projeto Nomes, que contava com o nome de quatro niteroienses em projetos de esportes, o do Gugu seria o 5°. A partir daí, o projeto se tornou Projeto Gugu e foi financiado pela Prefeitura. 


O Projeto Gugu proporciona saúde às pessoas
O Projeto Gugu proporciona saúde às pessoas | Foto: Reprodução/Internet


Durante todos esses anos, mesmo após a morte de Gugu por uma fratura no crânio, em 2015, o projeto continuou de pé. Até que, em 4 de agosto de 2018, a situação começou a se complicar com relação à Prefeitura, segundo conta Regina. 


"Nosso convênio com a Prefeitura acabou no dia 4 de agosto de 2018. A Secretaria de Idoso ficou responsável por fazer um novo edital de chamamento público para o nosso projeto e, com isso, a gente conseguiria renovar esse convênio e manter o salário dos funcionários do Projeto Gugu. A Prefeitura de Niterói até fez o edital, mas a secretaria não lançou. Então, como era de interesse público e dos políticos, continuamos dando aula e eles nos pagavam, mesmo que de forma irregular, todo o mês, pois entendiam a importância do projeto para a saúde dos idosos niteroienses. Até que começou a pandemia este ano, a situação continuava a mesma, ainda não tínhamos o edital de chamamento público. Nós tivemos que nos reinventar, como todo mundo, na pandemia, mas continuamos com nossas aulas online no Youtube. Até que em março, fomos chamados na prefeitura e o procurador disse que eles não iriam mais nos pagar, pois não tinha amparo legal para tal situação. Continuamos "empurrando" o Projeto até que no dia 09 de setembro, os funcionários sem salário, tiveram que parar suas atividades e estamos suspensos desde então", contou a viúva de Gugu. 


Na época de sua paralisação, o projeto atendia cerca de 2.500 pessoas e possuía 40 funcionários e 40 núcleos por Niterói.


O Projeto Gugu ajuda cerca de 2.500 pessoas
O Projeto Gugu ajuda cerca de 2.500 pessoas | Foto: Reprodução/Internet


Mesmo com a suspensão, o canal do Youtube do Projeto Gugu (Projeto Gugu), onde são postadas as aulas, continua com mais de mil inscritos e 200 visualizações, ou seja, os alunos continuam fazendo as aulas antigas. A situação entristece aqueles que passaram a vida se dedicando ao projeto. 


"É muito triste! Os idosos ficam inseguros achando que as aulas vão acabar. Temos alunos de outras idades também que pensam o mesmo. O nosso trabalho ajuda na saúde da população, que recorre menos a postos de saúde. Aqui, as pessoas criam amizades, um convívio social, fazem exercícios, tem uma rotina, uma perspectiva de vida, principalmente os idosos. É um projeto gratuito que ajuda a todos. As pessoas sentem muita falta. Fico decepcionada que no final deste governo esteja ocorrendo isso e espero que o próximo nos ajude e entenda o valor da saúde do idoso", contou Regina Célia, que também é psicóloga. 


Além das aulas, o Projeto Gugu ainda fazia festas, como celebrações juninas, para a comunidade niteroiense. 


Em nota, a Prefeitura de Niterói falou sobre o caso. "A Secretaria Municipal do Idoso informa que o novo edital está sendo elaborado, aguardando os pareceres internos dos órgãos competentes para ser publicado.


A Secretaria do Idoso em parceria com o Centro de Convivência Helena Tibau da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos tem promovido atividades virtuais de Ioga, arteterapia, uso do smartphone, idiomas e cuidados com a saúde física e psicológica para atender aos idosos durante a pandemia. Informações e agendamento pelo telefone 2620-7775 e 2611-8683."



*Estagiária sob supervisão de Marcela Freitas 

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